Ansiedade: 4 transtornos comuns

Tempo de leitura: 8 minutos

Se sentir nervoso ou ansioso é normal.

No entanto, quando a ansiedade e o medo ficam pesados demais ou interferem na sua vida, é hora de procurar um profissional para obter ajuda.

De acordo com o Doutor Kevin Chapman, psicólogo especialista em tratamentos para ansiedade, “muitos indivíduos com transtornos de ansiedade lidam com a sua ansiedade através de evitação”.

É essencial, portanto, que a pessoa em sofrimento busque auxílio profissional para reduzir sua ansiedade.

A seguir, você conhecerá alguns tipos de transtornos de ansiedade: o que são, seus sintomas e como tratá-los.

Transtorno de ansiedade generalizada

Primeiramente, quero abordar o transtorno de ansiedade generalizada (TAG).

Esse transtorno caracteriza-se por ansiedade e tensão exageradas que persistem por meses ou mais.

Quem sofre de TAG se preocupa muito mais e antecipa eventos trágicos. Essas preocupações podem ser a respeito de saúde, trabalho ou dinheiro.

As preocupações, porém, não se limitam a isso: até mesmo marcar um encontro pode causar uma imensa ansiedade.

Quando essa ansiedade atinge o seu pico, pode interromper a vida normal e as relações interpessoais.

Esse transtorno pode ocorrer em qualquer idade e, além disso, pesquisas já demonstraram que afeta duas vezes mais mulheres que homens.

Nesse contexto, os fatores de risco para se desenvolver a TAG são:

  • baixo status socioeconômico;
  • o sexo feminino;
  • exposição a adversidades na infância.

Alguns dos sintomas são: dores de cabeça, tensão, irritabilidade, dificuldade de concentração, distúrbios do sono, sintomas gastrointestinais e dores nas costas.

O transtorno de ansiedade generalizada, apesar de ser uma doença difícil de lidar, é altamente tratável.

Um dos tratamentos é a terapia cognitivo-comportamental, que modifica esquemas mentais, crenças, atitudes e comportamentos.

A prática de exercícios físicos pode ajudar na ansiedade

Outra possibilidade de tratamento é o exercício, pois pesquisas já demonstraram que os benefícios da prática auxiliam a combater a ansiedade.

Além disso, pesquisadores também nos apontam que o exercício aumenta os fatores de proteção contra o estresse causado pela TAG.

Esses são alguns exercícios que podem ajudar: treinamento de força, caminhar, correr, levantar peso, yoga e tai chi.

Transtorno obsessivo-compulsivo

O segundo transtorno de ansiedade da nossa lista é o transtorno obsessivo-compulsivo.

Esse transtorno causa pensamentos obsessivos e impulsos, que aumentam a ansiedade do indivíduo e fazem com que ele crie “rituais” – ou compulsões – repetitivos para diminuir sua ansiedade.

Pesquisas nos apontam que os sintomas mais frequentes do TOC são relacionados a medo de contaminações, além do medo de lesões em si ou no outro.

As obsessões presentes no TOC são pensamentos persistentes que causam estresse, enquanto as compulsões são comportamentos repetitivos que essas obsessões instigam.

Algumas das obsessões são:

  • medo de perder um objeto;
  • pensamentos involuntários que são tabu;
  • necessidade de organizar objetos em perfeita simetria.

As compulsões podem ser:

  • limpar ou lavar exageradamente uma parte do corpo;
  • guardar itens desnecessários;
  • checagem constante, tal como verificar se o carro foi trancado;
  • contar itens diversas vezes;
  • sempre buscar garantias.

Como o TOC é visto como um problema geneticamente baseado – não psicológico -, a terapia tradicional pode não ajudar.

Assim, um dos tratamentos para o TOC é a terapia comportamental, mais especificamente a terapia de exposição e prevenção de resposta.

Essa terapia envolve enfrentar, gradualmente, pensamentos e situações que causam medo e focar em ajudar a resistir às compulsões.

Terapeutas que tratam pacientes com TOC costumam indicar que continuem com o sentimento que os torna ansiosos, para que, dessa forma, construam uma tolerância ao pensamento/situação que causa medo.

Grupos de apoio também podem fornecer auxílio – lembre-se que apoio social auxilia a diminuir o estresse e libera oxitocina, o hormônio do amor.

Transtorno do pânico

O próximo transtorno de ansiedade é o transtorno do pânico.

Quem sofre desse transtorno sofre, repetidamente, ataques de pânico.

Junto com o próprio ataque, há o medo de ataques futuros, o que faz com que as pessoas mudem significativamente seus comportamentos e se tornem ainda mais ansiosas.

Sintomas

Os sinais frequentes do transtorno do pânico são:

  • ataques de pânico frequentes e inesperados, sem relação com alguma causa;
  • medo constante de ataques futuros;
  • comportamento modificando por conta dos ataques, incluindo evitação de lugares nos quais o ataque ocorreu.

Os ataques de pânico podem se tornar um fardo emocional – as memórias da experiência não vão embora porque a pessoa se preocupa com um ataque futuro.

A reincidência de ataques pode levar a uma série de sintomas, tais como:

  1. Palpitações cardíacas;
  2. Tremores;
  3. Sensação de respiração curta;
  4. Sentimento de choque;
  5. Sentir que perdeu o controle;
  6. Sentir-se fora da realidade;
  7. Frio ou ondas de calor;
  8. Medo de morrer ou enlouquecer.

A causa exata da ocorrência do ataque de pânico ainda não é completamente sabida.

O que se sabe, no entanto, é que os ataques podem ocorrer em grandes mudanças de vida, tais como mudar de profissão, ter um bebê, casar-se ou reformar a casa.

Ainda, alguns dos gatilhos para os ataques podem ser a morte de um familiar, divórcio, mudança de casa ou estresse extremo.

Há, também, condições médicas que podem ocasionar o pânico: hipertireoidismo, hipoglicemia, válvula mitral flexível, abuso de estimulantes (café, cocaína e anfetaminas) e abstinência de medicação.

É essencial buscar ajuda de um profissional, porque a terapia é o tratamento mais efetivo para tratar o transtorno – pode ser utilizada a terapia comportamental ou a terapia de exposição.

Além disso, pode-se utilizar de autoajuda para reduzir os sintomas, o que inclui práticas de relaxamento, práticas de respiração, passar mais tempo com família e amigos, prática de exercícios físicos e boa qualidade de sono.

Transtorno de ansiedade social ou fobia social

Por fim, o último da lista, o transtorno de ansiedade social.

Esse transtorno traz sentimentos intensos de ansiedade e medo, mais especificamente em ambientes sociais nos quais a pessoa se sente julgada, avaliada ou rejeitada.

As pessoas que dele sofrem tendem a evitar situações sociais e, se a situação não puder ser evitada, o estresse e a ansiedade tomam conta, fazendo com que a pessoa se sinta impotente.

Normalmente, se inicia na adolescência e, como tantos outros transtornos, pode atrapalhar a vida normal do indivíduo.

Por conta da fobia social, pode ser difícil manter um relacionamento romântico, amizades, vida social e até mesmo trabalho.

Além disso, essas pessoas têm mais risco de desenvolverem depressão ou abuso de álcool.

Alguns sintomas da fobia social são:

  • medo de ser criticado ou provocado;
  • medo de ser o centro das atenções;
  • sentir-se nauseado em ambientes sociais;
  • dificuldade de manter contato visual ou de falar alto o suficiente para ser ouvido;
  • sentir-se envergonhado.

Ansiedade de separação

Pertencente ao transtorno de ansiedade social, a ansiedade de separação é caracterizada por medo ou ansiedade constantes por estar longe de casa ou de um ente querido.

Alguns dos sintomas da ansiedade de separação são:

  1. medo que pessoas queridas se machuquem ou percam a vida;
  2. medo de eventos que possam levar à separação de seus entes queridos;
  3. recusar-se a sair de casa por medo da separação;
  4. recusar-se a participar de eventos sociais por não querer sair de casa;
  5. pesadelos que envolvem separação de entes queridos ou de sua casa.

Apesar da crença popular, o transtorno pode atingir qualquer faixa etária, sendo comum tanto em homens quanto mulheres.

O transtorno de ansiedade de separação interfere na vida normal e, por isso, requer um diagnóstico.

Esse diagnóstico médico, no entanto, requer que os sintomas sejam recorrentes em crianças e adolescentes há um mês e, em adultos, há seis meses.

Tratamento

O melhor tratamento para fobia social e a ansiedade de separação é a terapia cognitivo-comportamental.

No entanto, a porcentagem de indivíduos que busca tratamento no primeiro ano do transtorno é baixa, e alguns indivíduos são capazes de esperar anos antes de procurar ajuda.

Outro método que pode auxiliar é juntar-se a um grupo de apoio – assim, é possível encontrar narrativas imparciais e honestas de outras pessoas que sentem o mesmo.

Ainda, aprender como os outros superam seus medos pode ajudar a diminuir a própria fobia.

A seguir, algumas dicas para lidar com a ansiedade social e de separação:

  1. compreender e estar ciente do problema;
  2. comprometer-se com a terapia ou outro tratamento, mesmo que seja difícil;
  3. praticar os métodos cognitivos, estratégias e conceitos que foram aprendidos durante a terapia.

Recomendação

Os transtornos de ansiedade impactam na vida de inúmeras pessoas.

Mas assim como você leu acima, existem tratamentos efetivos para cada um deles.

É fundamental procurar ajuda profissional se você acredita estar sofrendo de ansiedade ou conhece alguém que esteja.


Referência: https://www.happierhuman.com/anxiety-disorders/#tab-con-25

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