9 distorções cognitivas

Tempo de leitura: 6 minutos

Hoje, falaremos um pouquinho de Terapia Cognitivo-Comportamental, com foco nas distorções cognitivas.

Como você já sabe saber, uma das bases da Educação Emocional Positiva é a Terapia Cognitiva.

A TCC nos diz que nossos pensamentos interferem diretamente em nossos estados emocionais, e também indica que a maior parte do nosso sofrimento emocional se dá pela interpretação que fazemos da situação, e não pela situação em si.

Essa interpretação se dá através das nossas distorções cognitivas.

O que é uma distorção

Distorções cognitivas são hábitos mentais que criam problemas ou pioram aqueles que nós já temos, dificultando a tarefa de encontrarmos soluções e induzindo-nos a erros de interpretação das nossas experiências e dos julgamentos dos outros.

Resumidamente, são erros de interpretação da realidade!

Até mesmo as pessoas mais inteligentes emocionalmente cometem estes erros.

Assim, é necessário saber interpretar as situações a nossa volta do modo com que elas ocorrem, e não do modo como imaginamos que elas ocorreram.

Dentro do Programa Educação Emocional Positiva, a Terapia Cognitiva trabalha para corrigir justamente essas distorções.

Nesse contexto, trago para você uma lista com 9 distorções cognitivas, suas respectivas características e tipos de pensamentos.

Principais distorções

Pensamento dicotômico

Primeiramente, começamos com o pensamento “tudo ou nada”.  

A pessoa vê uma situação em apenas duas categorias, em vez de em várias alternativas.

Por exemplo: “Se eu não for um sucesso total, serei um fracasso.”

A pessoa perfeccionista normalmente possui esse erro de pensamento, que a leva a sentir-se inadequada e desvalorizada quando o sucesso esperado não vem.

Catastrofização

A pessoa é levada a acreditar no pior, imaginando consequências tão terríveis que geram sentimentos insuportáveis.

O indivíduo cria hipóteses catastróficas para as situações que ocorrem em sua vida.

Alguns exemplos são: “Meu filho não chegou na hora, está morto!” ou “Não vou à festa porque serei ignorada e humilhada.”

A catastrofização é a mãe da ansiedade.

Minimização do positivo

É o famoso “sim, mas…”.

A pessoa diz para si mesma que experiências, atos ou qualidades positivas não contam.

A história abaixo ilustra a distorção.

Uma senhora levou seu netinho à praia. Ele estava lindo, uma gracinha, com sunguinha, baldinho na mão e chapéuzinho na cabeça.

De repente veio uma onda e arrastou o netinho para o mar.

A senhora gritava desesperadamente, clamando a Deus que devolvesse seu netinho.

Outra onda veio e trouxe o netinho de volta, e ele dizia que estava bem.

Então a senhora ajoelhou-se e agradeceu a Deus pela graça concedida, dizendo: “Obrigada, meu Deus, por devolver meu netinho, mas está faltando o chapéuzinho.”

Freeman & DeWolf (2006)

Excesso de pensamento positivo

A pessoa acredita que é dotada de tantos talentos que acaba se arriscando e não é prudente.

Ter êxito em uma esfera da vida não significa o alcance do sucesso em tudo o que for feito.

Uma overdose de pensamento positivo pode ser catastrófica, porque nos distancia da realidade e da responsabilidade pelos próprios atos.

A pessoa com excesso de pensamento positivo tende a prender-se em estratégicas que não estão mais funcionando.

Leitura mental

Uma das mais populares distorções cognitivas.

A leitura mental é um “dom especial” que pode se manifestar de duas formas:

  • O indivíduo tem certeza que sabe o que o outro está pensando.
  • O indivíduo crê que o outro tem o poder e o dever de saber o que ele está pensando – quanto mais íntima a relação, maior a ilusão.

Super generalização

Nesta distorção, um episódio negativo é estabelecido como padrão de pensamento para situações similares.

O indivíduo tira uma conclusão negativa que vai além da sua situação atual.

Alguns exemplos são: “Ninguém é confiável”; “Meus amigos vão me trair” ou “Assim como na antiga escola, não terei nenhum amigo na nova”.

A maior injustiça dessa distorção é que quem não cometeu o crime acaba pagando por ele.

Personalização

A pessoa guarda para si a inteira responsabilidade sobre um evento fora do seu controle.

Um exemplo é “Meus pais se separaram porque não fui um bom filho”.

Devemos nos atentar muito a esta distorção especialmente porque crianças menores são egocêntricas – faz parte de seu desenvolvimento acreditar que o mundo gira ao seu redor.

Assim, fazem a personalização naturalmente.

Vitimização

A pessoa sente-se vítima e não percebe que é responsável pelas suas escolhas.

Crê que tem falta de sorte e culpa outros pelos acontecimentos de sua vida.

Desde fatos simples a mais importantes, se exime de toda responsabilidade a colocando em outra pessoa ou um acontecimento.

Ditadura dos deverias

A pessoa costuma iniciar frases com “eu deveria” ou “eu tenho que…”.

Também cria expectativas exageradas em relação ao comportamento alheio, o que acaba gerando emoções negativas quando isso não se concretiza, tais como estresse, ansiedade, tensão, irritabilidade e depressão.

Essa distorção é utilizada por pessoas com características perfeccionistas.

Como ensinar crianças a corrigirem suas distorções

Deve-se ajudar a criança a corrigir seus pensamentos distorcidos.

É importante mostrar evidências reais que comprovem que aquele pensamento não condiz com a realidade.

Se a criança disser que faz tudo errado, devemos corrigir esse pensamento lhe mostrando o que ela fez de certo.

Isso ajuda a criança a prestar atenção no momento presente e, além disso, reforça a importância de pensar corretamente.

Uma atividade que faço muito com meus pacientes é a do pensamento martelo.

É fundamental trabalhar a relação entre pensamento -> sentimento -> comportamento com as crianças desde cedo, para que seu desenvolvimento não seja prejudicado e os pensamentos distorcidos possam ser corrigidos.

Mas como fazer esse conceito abstrato se tornar concreto para a criança?

É possível promover esse entendimento através de ilustrações e brincadeiras.

Nesse contexto, trago para você a atividade do pensamento-martelo e do pensamento-joia.

Explicamos à criança que o pensamento-martelo (o pensamento distorcido, figura 1) é aquele pensamento que fica martelando sua cabeça.

Figura 1. Pensamento-martelo

Em seguida, perguntamos como a criança se sente a respeito desses pensamentos e qual o comportamento consequente.

Trabalhamos, então, para transformar o pensamento-martelo da criança em um pensamento-joia (figura 2), realizando a correção do pensamento distorcido.

Figura 2. Pensamento-joia

Essa atividade é muito interessante pois assim oferecemos um atendimento personalizado à criança, de forma a quebrar as relações disfuncionais e promover um bom desenvolvimento da criança.


Você pode fazer o download das imagens para trabalhar o pensamento-martelo em http://bit.ly/pensamentomartelo.

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