A doença onerosa da depressão

Tempo de leitura: 3 minutos

Hoje, quero falar sobre um assunto muito sério: a depressão.

Frequentemente, ouvimos pessoas dizerem durante um dia ruim que estão se sentindo deprimidas.

Entretanto, a depressão como condição grave de saúde mental não se resume somente ao sentimento de tristeza ou apatia.

Isso porque a tristeza é passageira, sendo muitas vezes consequência de um fator adverso da vida, uma perda, um desapontamento, uma lembrança de algo ruim que aconteceu ou mesmo um pensamento não adequado que ativamos de forma automática.

A verdadeira depressão

Enquanto isso, a depressão é um quadro complexo, que envolve fatores genéticos, psicológicos e ambientais em sua origem.

É, também, uma condição psiquiátrica muito frequente, pois estudos recentes mostram que 10% a 25% das pessoas que procuram atendimento médico e psicológico apresentam sintomas depressivos. 

Nesse sentido, uma pessoa que apresenta depressão expressa sensações de abatimento, tristeza, irritação e/ou vazio, mas não somente isso.

Além de afetar o humor, a depressão interfere nos pensamentos, no comportamento e nas reações físicas. Pode, por exemplo, afetar:

  • o sono, com insônia ou sono excessivo;
  • a alimentação, com perda ou aumento do apetite, causando ganho ou perda de peso; 
  • as atividades de rotina, com a perda do interesse ou do prazer nas coisas do dia a dia, podendo diminuir inclusive o desejo sexual;
  • a energia, com cansaço físico e mental;
  • a capacidade de concentração e de tomar decisões, diminuindo a atenção e causando falhas de memória;
  • o conteúdo dos pensamentos, com foco exagerado em aspectos negativos, gerando sensações injustificadas de inutilidade, desvalorização e culpa. Em casos extremos pode até mesmo desencadear ideias sobre suicídio ou de que seria melhor morrer do que estar vivo.

A depressão pode:

  • se manifestar em qualquer pessoa, a qualquer hora e em qualquer idade;
  • ter influência direta do momento de vida e contexto no qual a pessoa está inserida;
  • durar semanas, meses ou, em casos menos comuns, mais de um ano; 
  • ter intensidade leve, moderada ou grave;
  • ser um único episódio ou um problema recorrente;
  • estar diretamente associada a um evento presente, tal como encerramento de um projeto, fim de um relacionamento, luto.

Como auxiliar alguém deprimido?

Ainda, a depressão causa sérios transtornos à vida da pessoa e daquelas que convivem com ela.

A pessoa com depressão pode muitas vezes ser tratada de forma inadequada/preconceituosa por pessoas próximas, da família e no ambiente de trabalho, podendo ser julgada inadequadamente como sendo preguiçosa, desajustada ou irresponsável em função de suas dificuldades.

É importante frisar que sofrer de depressão não é um sinal de fraqueza ou uma condição que se possa facilmente reverter tão somente pela própria força de vontade.

Isso porque a pessoa com depressão, na maior parte das vezes, precisa de ajuda para conseguir reagir, enfrentar o problema e ter uma melhora significativa.

Quando uma pessoa vivencia um quadro depressivo, tem uma maior tendência de avaliar as situações de uma forma negativista e pessimista, em geral irrealista.

Nesse caso, vivencia-se emoções desconfortáveis desnecessariamente e tende-se a expressar comportamentos desadaptativos que podem trazer prejuízos.

A TCC pode ajudar na identificação dos pensamentos que geram sentimentos desconfortáveis e comportamentos prejudiciais consequentes, além de contribuir para o entendimento das razões pelas quais costumamos penasr da maneira como pensamos.

Já falamos sobre como funciona a Terapia Cognitivo-Comportamental neste post.

É possível questionar os pensamentos a ponto de modificá-los, caso estes não se sustentem por argumentos lógicos e fatos observáveis.

Fonte: Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental. Organizado por Marcele Regine de Carvalho, Lucia Emmanoel Novaes Malagris e Bernard P. Rangé. Disponível para aquisição aqui.

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