Autocontrole e ludicidade nas crianças

Tempo de leitura: 7 minutos

Na publicação de hoje, falaremos sobre algumas ações que auxiliam nossas crianças a serem mais saudáveis emocionalmente e mais felizes.

Como criar crianças mais saudáveis emocionalmente?

Esse é o assunto abordado no Programa Ciranda, um programa que desenvolvi com foco nas nossas crianças.

Nele, apresento bases sólidas que nos orientam a criar nossos filhos.

Falamos sobre a saúde das emoções, como criar crianças mais felizes e como criar um ambiente mais saudável (de conexão), para fazer com que nossa sociedade favoreça o florescimento de nossos filhos, ou seja, que se tornem suas melhores versões.

Aprendemos também, no curso, a ser bons pais e criar indivíduos mais saudáveis emocionalmente, além de dicas para educar as crianças para o século 21.

Reforço, no entanto, que o curso não é um manual de criação – a intenção é apresentar alguns nortes sobre saúde emocional e vida feliz.

Esse conhecimento, portanto, nos permite ter posturas mais acertadas na criação das crianças através de diretrizes.

O que você mais deseja para seu filho?

Para iniciar, quero apresentar um trecho de um de meus teóricos favoritos sobre relacionamentos:

Acredite na natureza positiva do desenvolvimento humano. Quanto mais aprendo sobre a criança, mais acredito que o curso natural do desenvolvimento humano é uma força espantosamente positiva. Com isso, quero dizer que o cérebro infantil é naturalmente programado para procurar segurança, amor, conhecimento e compreensão. Seu filho deseja ser afetuoso e altruísta. Deseja explorar o que o cerca, descobrir o que causa o raio, saber o que é certo e errado e saber como é o cachorro por dentro. Ele quer conhecer os perigos do mundo e como evitá-los. Quer muito acertar, ficar cada vez mais forte e capaz. Seu filho quer ser o tipo de pessoa que você irá admirar e amar. Como pais, com todas essas forças naturais do seu lado, vocês podem confiar nos sentimentos de seu filho e saber que não estão sós.

John Gottman

Após essa citação, refaço minha pergunta.

O que você mais deseja para o seu filho?

Suponho que a resposta seja felicidade.

Mas será que estamos realizando ações e educando nossas crianças de forma a serem genuinamente felizes?

Qual é o melhor presente que podemos dar para nossas crianças?

A resposta é uma única palavra: autocontrole.

Vou explicar melhor.

Em 1972, Walter Mischel realizou o experimento do marshmallow – um estudo longitudinal, no qual ele acompanhou as crianças por muito tempo.

Esse experimento consistiu em levar a criança a uma mesa com um marshmallow à sua frente.

Após, se explicava à criança que ela poderia comer aquele marshmallow ou aguardar o retorno do adulto para comê-lo, opção que lhe renderia um marshmallow extra.

Assim, Mischel verificou que as crianças que toleraram emoções desconfortáveis e tiveram o autocontrole de resistir ao marshmallow se tornaram adultos mais estáveis, mais saudáveis, com baixo envolvimento no crime, baixa obesidade e bom desempenho no trabalho e acadêmico.

Sim, tudo isso foi constatado observando o comportamento da criança diante de um marshmallow!

O mundo lúdico das crianças

É importante ressaltar que o universo da criança é lúdico.

Essa informação pode ser utilizada ao nosso favor!

Se queremos ensinar autocontrole – a habilidade de tolerar emoções desconfortáveis para alcançar um objetivo -, precisamos utilizar o lúdico, ou seja, a imaginação.

O autocontrole é um aprendizado para a vida, e a ludicidade é a sua maior aliada.

Assim, é muito mais eficaz você dizer à criança “Estátua!” do que “Pare. Fique quieta.” se deseja que ela se acalme.

É, também, muito mais eficaz você brincar de vaca amarela para que ela fique quieta.

Percebe onde estou chegando?

Quando queremos ensinar, é muito mais eficaz utilizar a brincadeira! Por isso falo de utilizarmos a ludicidade ao nosso favor.

Não podemos querer que as crianças compreendam tudo de forma adulta – os adultos somos nós.

A visão de mundo das crianças é muito diferente da nossa e, portanto, devemos ensiná-las à sua maneira, utilizando a sua linguagem.

Reforço, então: se queremos fazer com que a criança aprenda alguma coisa, devemos buscar formas lúdicas para que ela entenda.

Outro detalhe muito importante para conversar sobre assuntos de maior seriedade com as crianças é o olho no olho – abaixar-se à altura dos olhos da criança para a conversa seja de igual para igual.

Só se pode pensar depois de se acalmar

Nós, como adultos, precisamos ser práticos.

Grave essa informação para sua vida e aplique em tudo o que for possível: só se pode pensar depois de se acalmar.

Mas o que podemos fazer para promover o autocontrole nas crianças?

1. Ajudar a criança a se acalmar

Lembre-se sempre que quanto menor a criança, mais emoção ela é.

Quanto menor a criança, menos seu cérebro está maduro o suficiente para compreender situações mais complexas.

Isso se dá porque a emoção vem de fábrica: nossas emoções básicas nascem conosco, e permaneceram com nós até hoje porque nos ajudaram a sobreviver no processo evolutivo.

2. Ajudar a criança a perceber e nomear sua emoção

Aqui, a educação emocional é fundamental.

Nomeamos a emoção da criança e ajudamos ela a perceber o seu estado emocional e o do outro.

3. Conversar sobre o sentimento

Após a criança estar calma e ter nomeado sua emoção, conversamos a respeito da emoção que ela está sentindo.

4. Planejar as ações

Nesta etapa, emprestamos o nosso cérebro maduro à criança.

Pela sua imaturidade cerebral, ela não consegue pensar em consequências sozinha, e é por isso que “emprestamos” o nosso cérebro adulto.

Ao se fazer esse empréstimo, a criança percebe as consequências de suas ações e como seu comportamento atinge os outros.

Como regular as emoções com as crianças?

Ainda, quero ressaltar que toda vez que vivenciamos uma emoção muito intensa, o nosso coração dispara.

O mais importante disso é que existe uma via de mão dupla entre o coração e o cérebro emocional.

Assim, conseguir diminuir os batimentos cardíacos permite regular o cérebro emocional.

1. A respiração lenta e profunda ajuda a regular as emoções

É possível praticar a respiração lenta ao brincar com bolhas de sabão.

2. Sustentar a atenção auxilia a manejar emoções mais intensas

Aqui, é possível brincar de estátua, imitar o gato (focado), yoga, imitar soldados ingleses…

Enfim, praticar brincadeiras que obriguem a sustentar a atenção em um foco auxilia a fortalecer as conexões cerebrais que ajudam no controle emocional (isso não é reprimir, é manejar as emoções!).

Educação no século 21

Agora, pare e imagine como será o futuro de uma geração que só pensa após se acalmar, que sabe nomear sua emoção e planejar ações pensando nas consequências.

Lindo, não é mesmo?

Quando você ouve que deve “acolher seus filhos”, é nessas etapas que deve pensar: ensinar a se acalmar, pensar junto e e ensinar a fazer a coisa certa.

Assim, é importante ensinar a realização dos passos à criança porque, na hora da perturbação emocional ocorre, tanto você quanto a criança já sabem como passar por isso.


Se você tem interesse em conhecer mais sobre o Programa Ciranda e todo o conteúdo trabalhado nele, clique no botão abaixo.

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