Autocontrole nas crianças

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Hoje, quero fazer um post mais longo com foco no autocontrole das crianças.

Primeiramente, quero apresentar um trecho de um de meus teóricos favoritos sobre relacionamentos, John Gottman:

Acredite na natureza positiva do desenvolvimento humano. Quanto mais aprendo sobre a criança, mais acredito que o curso natural do desenvolvimento humano é uma força espantosamente positiva. Com isso, quero dizer que o cérebro infantil é naturalmente programado para procurar segurança, amor, conhecimento e compreensão. Seu filho deseja ser afetuoso e altruísta. Deseja explorar o que o cerca, descobrir o que causa o raio, saber o que é certo e errado e saber como é o cachorro por dentro. Ele quer conhecer os perigos do mundo e como evitá-los. Quer muito acertar, ficar cada vez mais forte e capaz. Seu filho quer ser o tipo de pessoa que você irá admirar e amar. Como pais, com todas essas forças naturais do seu lado, vocês podem confiar nos sentimentos de seu filho e saber que não estão sós.

John Gottman

Reflita: qual é o melhor presente que podemos dar para nossas crianças?

A resposta é autocontrole, e eu vou te explicar o porquê.

O teste do marshmallow

Em 1972, Walter Mischel realizou o experimento do marshmallow – um estudo longitudinal, no qual ele acompanhou as crianças por muito tempo.

Esse experimento consistiu em levar a criança a uma mesa com um marshmallow à sua frente e explicar que ela poderia comer aquele marshmallow ou aguardar o retorno do adulto para comê-lo – dessa forma, ela ganharia um segundo marshmallow.

Mischel verificou que as crianças que toleraram emoções desconfortáveis e tiveram o autocontrole de resistir ao marshmallow se tornaram adultos mais estáveis.

Ainda, foi constatado que esses adultos eram mais saudáveis, com baixo envolvimento no crime, baixa obesidade e bom desempenho no trabalho e acadêmico.

A ludicidade é a maior aliada do autocontrole

É importante ressaltar que o universo da criança é lúdico e, por isso, precisamos utilizar essa informação ao nosso favor!

O autocontrole é uma capacidade para a vida toda.

E se queremos ensinar autocontrole (tolerar emoções desconfortáveis para alcançar um objetivo), precisamos utilizar o lúdico, ativando a imaginação da criança.

Assim, é muito mais eficaz você lhe dizer “Estátua!” do que “Pare. Fique quieta.”

É muito mais eficaz você brincar de vaca amarela do que pedir que faça silêncio.

Meu foco aqui é que para ensinar, é mais fácil e efetivo utilizar a brincadeira.

Sei que pode parecer estranho, mas pense comigo: não podemos querer que as crianças compreendam a maneira de forma adulta – os adultos somos nós.

Sua visão de mundo é muito diferente da nossa.

Dessa forma, devemos ensiná-las à sua maneira, utilizando a sua linguagem para que compreendam efetivamente o aprendizado.

Outro detalhe muito importante para conversar sobre assuntos de maior seriedade com as crianças é o olho no olho – abaixe-se à altura dos olhos da criança para a conversa seja de igual para igual.

Grave essa informação para sua vida: só se pode pensar depois de se acalmar.

O que você pode fazer para ensinar a educação emocional e autocontrole às crianças?

Confira a lista abaixo para saber o que se pode fazer.

1. Ajudar a criança a se acalmar

Grave isso: quanto menor a criança, mais emoção ela é. .
Isso se dá porque a emoção vem de “fábrica” – nossas emoções básicas nascem conosco.

As emoções permaneceram conosco porque nos ajudaram a sobreviver no processo evolutivo.

As emoções que sentimos nos informam que algo está acontecendo no ambiente e preparam nosso corpo para agir.

Então, reforço: quanto menor a criança, mais emoção ela é – seu cérebro não está maduro o suficiente para compreender emoções mais complexas.

2. Ajudar a criança a perceber e nomear sua emoção

Ajudamos a criança a perceber seu estado emocional e do outro, além de nomear a emoção identificada.

3. Conversar sobre esse sentimento

Após a criança estar calma e ter nomeado sua emoção, conversamos a respeito da emoção que ela está sentindo.

4. Planejar as ações

Emprestamos o nosso cérebro maduro para auxiliar a criança a pensar nas consequências.

De novo: pela sua imaturidade cerebral, a criança não consegue identificar consequências de seus comportamentos.

É por isso que “emprestamos” o nosso cérebro adulto – mostramos as consequências de nossas ações e explicamos que o nosso comportamento atinge o outro também.


Quando você ouve “acolha seus filhos”, é nessas etapas que deve pensar: ensinar a se acalmar, pensar junto e fazer a coisa certa.

Por fim, pense comigo: que lindo seria o futuro de uma geração que possui autocontrole para só pensar depois de se acalmar, nomear suas emoções e planejar ações pensando nas consequências.

Vamos construir um futuro assim?

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