Autonomia e autoeficácia nas crianças

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Você lembra que já conversamos sobre como é na infância e adolescência que desenvolvemos os esquemas mentais, certo? Se você não sabe do que estou falando ou não lembra como o processo ocorre nas crianças, clique aqui.

Também falamos aqui sobre como é importante ensinar as competências socioemocionais e as habilidades para o bem-estar ainda na infância para que nossas crianças se tornem adultos emocionalmente saudáveis.

Hoje, portanto, esse é o nosso assunto mais uma vez: a criação das nossas crianças.

Quero falar, rapidamente, sobre alguns conceitos que são fundamentais para o desenvolvimento sadio: competência, autonomia e autoeficácia.

Primeiramente, destaco um erro muito comum que os adultos cometem, mesmo que seja na melhor das intenções.

Esse erro é o de realizar tarefas que as crianças são capazes de completar sozinhas.

Mas por que isso é prejudicial?

Porque – de novo – é na infância e adolescência que vamos constituindo nossos esquemas mentais.

Vamos criando nossos modelos cognitivos a partir de nossas experiências.

Assim, ao realizarem tudo pelas crianças, os adultos podem passar duas mensagens que prejudicam o desenvolvimento saudável.

De que ela não é capaz

Ao não permitir ou isentar uma criança de realizar uma tarefa, a impressão que é passada é a de que ela não é capaz.

Quando a criança ouve “deixa que eu faço para você”, entende “o que você faz não é bom o bastante, por isso tenho que fazer para você”.

O adulto não precisa dizer que ela não é capaz. Ao fazer algo que a criança sabe que consegue fazer, acaba por apresentar essa mensagem.

Os outros estão lá para servi-la

A segunda mensagem passada é a de que a criança não precisa fazer nenhum esforço.

Essa interpretação provém do costume das pessoas ao seu redor de fazer tudo por ela.

Assim, essas pessoas despertam a crença de que todos estão ali para satisfazer seus desejos.

Essa crença pode prejudicar muito a relação entre pares e também a relação com outros adultos, pois quando há mudança de ambiente, a criança não sabe como interagir de uma maneira diversificada.

Um exemplo: a criança que é criada assim quer que o amiguinho satisfaça todas as suas vontades, e ao ser tão “mandona” acaba ficando isolada.

Nesse ponto, eu costumo dizer que se entrou em um “ciclo do mal”.

Dentro do ciclo do mal, o pensamento da criança é o de “eu mando nos outros, e se meu amiguinho não me obedece, vou procurar pelos adultos que realizam os meus desejos e chamá-los para brincar”.

Pronto. A criança acabou por não ampliar nenhum repertório social e, novamente, o adulto estava ali para satisfazê-la.

Você notou como funciona o ciclo do mal?

Essas são as duas mensagens perigosíssimas passadas às crianças pelos adultos que têm como costume realizar as tarefas por elas.

Em ambos os casos, a competência e a autonomia vão sendo prejudicados paulatinamente.

Como desenvolver a competência, a autonomia e autoeficácia nas crianças

Recebo, de muitos pais, a seguinte pergunta: “como fortalecer a autoestima de meus filhos?”.

Como resposta, digo que meu primeiro conselho é que sejam criadas oportunidades para que a criança vivencie experiências de sucesso, nas quais ela se sinta orgulhosa por algo que realizou.

Ao deixar ela vivenciar a verdadeira competência, ela desenvolve o sentimento de autoeficácia, assim denominado por Albert Bandura.

O que é a autoeficácia

A palavra autoeficácia denomina um padrão de pensamento humano aprendido. Esse padrão se inicia na infância e persiste durante toda a vida.

Dessa forma, é fundamental criarmos oportunidades para que as crianças vivenciem situações que elas “deem conta” de lidar, realizar ou cumprir.

Criar oportunidades para que as crianças possam realizar pequenas tarefas do dia a dia, além de ser essencial para a construção da verdadeira autoestima, auxilia a criar uma visão positiva sobre si e seus recursos internos.

Como eu explico em nosso Programa Ciranda (Educação Emocional Positiva para educação infantil): Criança resolve problema de criança.

Se você quiser conhecer o Programa e como ele auxilia a educar crianças emocionalmente saudáveis, clique aqui.

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