Como controlar a fisiologia das emoções

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Um passo fundamental para a conquista da felicidade é saber controlar a fisiologia das emoções, de acordo com Albert Ellis.

Respiração

É possível controlar a fisiologia das emoções respirando profundamente, pois liberamos ácido gama-aminobutírico, o GABA, que é um agente calmante natural do cérebro essencial para que o cérebro funcione corretamente.

Além disso, a respiração profunda e confortável diminui a noradrenalina no cérebro, tornando mais fácil apaziguar a mente.

A noradrenalina, em quantidade maior do que a normal, pode causar sérios problemas de saúde.

Ela é um hormônio secretado, ao mesmo tempo que a adrenalina, pela medula da glândula suprarrenal e tem ação vasoconstritora e hipertensiva.

Ao mesmo tempo, aumenta a serotonina, substância responsável pelo prazer, e ativa o sistema de recompensa no cérebro, que gera bem-estar.

Vale ressaltar que não é apenas uma respiração que gera tudo isso; são necessárias algumas respirações!

Se você conseguir dedicar 10 minutos diários a respirar profundamente, colocando toda a atenção na sua respiração, você estará transformando seu cérebro definitivamente.

Se os pensamentos do dia a dia lhe vierem à mente, você apenas os deixa ir, sem dar continuidade a eles.

Como controlar a respiração pela meditação

Os estudos são muito bacanas e afirmam categoricamente que a meditação pode transformar sua ida.

Elisa Kozasa, pesquisadora do Instituto do Cérebro do Hospital Israelita Albert Einstein, descobriu que a prática regular de meditação “economiza” neurônios porque mantém o foco em exercícios de atenção.

Isso é fundamental, principalmente pelo estilo de vida que temos hoje, sendo bombardeados a todo instante por vários estímulos.

Elisa Pontua que o grande trunfo da prática da meditação é a capacidade de relaxar em momentos de estresse.

Quando estamos diante de uma situação estressante, nosso cérebro se prepara para três comportamentos básicos, chamados de respostas de estresse: lutar, fugir ou congelar.

Também era assim com nossos antepassados e é assim com os animais.

Temos estruturas para que possamos ter as mesmas reações diante de um perigo, como forma de nos protegermos.

Porém, com a vida estressante da atualidade, perdemos a capacidade de distinguir um perigo real de um perigo imaginário.

Isso nos leva a ter, a todo momento, respostas de estresse.

Vivemos com níveis estressantes que nossos antepassados só conheciam quando iam caçar mamutes.

A resposta de estresse leva nossa respiração a ficar ofegante e desencadeia taquicardia, suor nas mãos, tontura, tensão, cegueira momentânea, etc.

É o nosso corpo entendendo a mensagem do nosso cérebro, a de que devemos ir para a luta, fugir ou congelar.

A respiração profunda, assim, é uma resposta antagônica à resposta do estresse.

É ela que diz ao seu cérebro “calma, está tudo bem”. Isso auxilia a contextualizar a situação.

Em sala de aula, dedicar cinco minutos diários ao exercício da respiração diminuirá a agressividade nos alunos, pois muitos deles são reativos porque seus cérebros entendem qualquer movimento do colega como uma provocação, entrando em estado de luta, fuga ou congelamento.

Coerência cardíaca

A coerência cardíaca, facilitada pelo exercício da respiração profunda, também propicia o controle emocional.

O Dr. David Servan-Schreiber, respeitável psiquiatra francês, em seu livro Curar: o stress, a ansiedade e a depressão sem medicamentos nem psicanálise, diz:

Depois de milhões de anos de evolução, nosso cérebro emocional é feito para ansiar por quatro aspectos da vida:

– um senso de conexão com nosso corpo e estados interiores;

– intimidades com alguns seres seletos;

– um papel sério em nossa comunidade;

– um sentido de conexão com o mistério da vida.

Distanciados desses aspectos, buscamos em vão por uma meta fora de nós, em um mundo no qual nos tornamos estrangeiros.

O relacionamento entre o cérebro emocional e o coração é uma das chaves para o domínio emocional.

Segundo ele, ainda:

Ao aprender literalmente a controlar o nosso coração, através da diminuição dos batimentos cardíacos, aprendemos a dominar nosso cérebro emocional.

Isso se dá porque a mais forte das relações entre o coração e o cérebro emocional é uma rede de comunicação difusa, de mão dupla, conhecida como “sistema nervoso periférico autônomo”.

É a parte do sistema nervoso que, estando além do nosso controle consciente, regula o funcionamento dos órgãos.

O nosso coração possui mais de 40 mil células nervosas conectadas diretamente com nosso cérebro.

Controlar os batimentos cardíacos acalma o cérebro emocional.

O sistema nervoso autônomo é constituído de dois ramos, começando no cérebro emocional e se espalhando pelo corpo.

O ramo “simpático” libera adrenalina e noradrenalina, regulando as reações de luta ou fuga.

Sua atividade acelera o coração.

O outro ramo, chamado parassimpático, libera um neurotransmissor diferente, a acetilcolina, que promove estados de relaxamento e calma.

Ele faz o coração bater mais devagar.

Dr. David Servan-Schreiber

Atividade para controlar as emoções

  1. Comece fazendo três respirações lentas e profundas, que estimulam o sistema parassimpático e favorecem o “freio” psicológico.
  2. Em seguida, acompanhe atentamente a expiração (soltura do ar) até o fim e deixe, após uma pausa de três segundos, que a inspiração seja retomada naturalmente.
  3. Incorpore à respiração um pensamento construtivo (o pensamento construtivo pode ser substituído por uma lembrança feliz).
  4. Fique assim por pelo menos dois minutos.

Em um estudo do Dr. Watkins (2002) e pesquisadores do Heart-Math Institute, publicado pelo American Journal of Cardiology, constatou-se que simplesmente lembrar ou imaginar uma cena ou situação agradável é capaz de modificar positivamente os batimentos cardíacos, levando a um estado de coerência.

Algo que acredito ser de extrema importância é que, quando entramos no estado de coerência cardíaca, somos capazes de achar respostas, as palavras certas que nos ajudam a construir pontes em vez de muros. Esse estado facilita a ação e possibilita que os recursos internos sejam ativados.

Costumo dizer a mim mesma uma frase que não me recordo onde li: “Aconteça o que acontecer… continue respirando”.

Brincando com a respiração da sopa

Para as crianças, costumo ensinar a respiração da sopa.

É uma maneira lúdica de incorporar a prática da respiração lenta e profunda, de modo confortável e divertido.

Inicio a brincadeira perguntando:

Qual é a sopa que você mais gosta?

Espero a resposta da criança e digo: então, agora vamos imaginar que você tem em suas mãos um prato (peço a elas juntarem as mãozinhas em forma de concha) e vou colocar sua sopa favorita.

Sinta o cheiro delicioso da sopa – INSPIRAR.

Ela está muito quente, precisamos esfriar – EXPIRAR.

Gosto muito dessa brincadeira, pois o soprar a sopa é o ritmo exato que as crianças precisam aprender. Eu sempre comento com elas: se você soprar muito forte a sopa, o que acontece? ESpirra na gente e nos queima. Então tem que ser bem devagarzinho.

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