Como lidar com as emoções

Tempo de leitura: 8 minutos

Primeiramente, quero reforçar que lidar com as emoções é um comportamento que pode ser aprendido.

Como já falamos aqui, as emoções são processos biológicos administrados pelo cérebro fundamentais para nossa adaptação e sobrevivência como espécie.

Mesmo sabendo disso, nem sempre nossos pacientes são capazes de lidar com as emoções negativas de forma adequada.

Pelo contrário: acabam considerando-asa desconfortáveis e problemáticas.

Dessa forma, pode ocorrer a repressão das emoções.

A repressão das emoções é uma maneira de lidar com as emoções ao escondê-las e afastá-las.

Por que reprimimos nossas emoções?

A repressão emocional pode ter origem na infância, quando não é dado espaço à criança para que sinta e expresse suas emoções.

Ainda vivemos em uma cultura que invalida, intencional ou desintencionalmente, as emoções negativas.

Isso pode ser visto em pais ou cuidadores que não demonstram emoções negativas à criança e, quando ela chora, ordenam que pare.

São comuns frases como “supere isso”, “deixa para lá”, “não seja bobo”.

A criança, dessa forma, internaliza essas mensagens e “entende” que sentir e reconhecer emoções negativas é algo ruim.

Além disso, a falta de exemplo de um adulto que lide com as próprias emoções pode levar ao desenvolvimento de estratégias que focam em evitar e inibir as emoções negativas.

10 maneiras de ensinar o paciente a lidar com as emoções

Reconhecer a repressão das próprias emoções já é um importante passo a ser tomado.

Ensine a ele que pergunte a si mesmo: o que estou ganhando ao reprimir minhas emoções?

Como já falamos várias vezes, todos nós sentimos emoções “desconfortáveis”, afinal toda emoção tem um papel em nossa sobrevivência.

No entanto, precisamos ensinar a nossos pacientes que é perfeitamente possível aprendermos recursos e técnicas para lidar com essas emoções.

A seguir, vou compartilhar algumas dicas para ensinar seu paciente a lidar com as emoções “negativas”.

Dica 1 – Ele precisa entender como se relaciona com suas emoções

A maneira como ele pensa a respeito de emoções negativas influencia o modo como ele se sente e o modo como se comporta perante elas.

Por exemplo: se o paciente pensa que emoções desconfortáveis são uma inconveniência e um sinal de fraqueza, ele se sente frustrado diante delas e as reprime.

Isso pode virar um hábito, e a melhor maneira de quebrar esse hábito é identificando quando isso ocorre.

Dica 2 – Ele precisa aprender sobre as emoções

Incentive-o a buscar saber qual é o objetivo de sentirmos as emoções que sentimos, qual a função de uma emoção positiva e de uma negativa, etc.

A emoção é um processo biológico administrado pelo nosso cérebro fundamental para nossa adaptação e sobrevivência como espécie.

A raiva, por exemplo, nos prepara para atacar, enquanto a alegria nos prepara para fazer alguma coisa.

O filme Divertidamente explica tudo isso com uma abordagem divertida e gentil.

Assim, ele desconstrói os mitos que indicam que as emoções são ameaçadoras e os substitui pelo conhecimento de que elas são importantes e úteis.

Dica 3 – Ele precisa entender como as emoções se manifestam no seu corpo

Para saber lidar com as emoções, é fundamental saber como elas se manifestam no seu corpo.

Toda emoção gera uma reação fisiológica.

Diferentes emoções têm diferentes manifestações, além de variar de acordo com a pessoa.

Por exemplo: para uma pessoa, a ansiedade pode ser um aperto no peito, a tristeza pode ser um buraco no estômago e raiva pode ser uma sensação quente latejando na cabeça.

Ele é capaz de compreender a relação entre suas emoções e seu corpo prestando atenção nas alterações que ocorrem quando sente tal emoção.

Dica 4 – Oriente-o a descobrir quais são os gatilhos de suas emoções

Estar conectado ao seu corpo pode ajudar a perceber as emoções com antecedência e identificar o que fez com que elas aparecessem.

Entender os gatilhos é fundamental porque, assim, podemos nos preparar para o momento em que a emoção for se manifestar e administrá-la melhor.

Por exemplo: se ele sabe que fica ansioso antes de uma palestra, pode tirar alguns minutos para acalmar essa ansiedade fazendo respirações lentas e profundas antes de chegar sua hora de falar.

Dica 5 – Ele precisa aprender a conviver com suas emoções

É fundamental que nosso paciente saiba que tentar se livrar das ditas emoções desconfortáveis é um esforço inútil, porque nós não as controlamos.

Quando ele tenta afastá-las, o que ocorre é um processo semelhante a tentar empurrar uma bola para baixo d’água – a bola sempre retorna à superfície.

Assim, em vez de lutar contra a bola para que ela permaneça abaixo d’água, ele pode deixá-la flutuar na água ao seu redor.

É muito mais produtivo utilizar sua energia para melhorar sua relação com as emoções, permitindo que elas vivam com ele.

Se ele não tentar empurrá-las, elas não irão empurrar de volta, e ele poderá viver com elas mais facilmente.

Dica 6 – Ensine seu paciente a reconhecer suas emoções

Ensine seu paciente a reconhecer e a validar suas emoções.

Ele pode fazer isso, por exemplo, ao nomeá-las sem sentir-se mal por estar sentindo aquilo.

Explique a ele que validar as emoções negativas não vai fazer com que elas piorem ou se intensifiquem; emoções vêm e vão.

Reconhece-las apenas significa que ele está aceitando a si mesmo com todos seus altos e baixos.

Dica 7 – Ensine o paciente a estar com suas emoções

Ensine o paciente a passar um tempo com suas emoções negativas quando elas aparecem: ele pode observar o que acontece na sua mente e focar nas sensações fisiológicas que elas provocam.

Ensine a ele, por exemplo, que pode focar na sensação de “buraco” no estômago quando está ansioso.

Por fim, explique a ele que estar junto às emoções negativas não se trata de modificá-las ou consertá-las.

Tem mais a ver com aprender que é possível tolerá-las e que ele não precisa se sentir sobrecarregado por elas.

Dica 8 – Ele precisa entender o que suas emoções estão dizendo

Quando o nosso paciente vivencia uma emoção desconfortável, algo que pode ajudar é decifrar a mensagem que aquela emoção está tentando passar.

É possível fazer isso através de algumas perguntas:
a) qual foi o gatilho para essa emoção?
b) o que essa emoção está querendo me dizer?
3) o que eu preciso nesse momento?

Ao se fazer essas perguntas de regulação emocional, o paciente é capaz de entender o que seu corpo e mente estão querendo dizer.

Mas é importante ressaltar a ele que interprete essas mensagens cautelosamente.

Nossas emoções “negativas” nos auxiliam na sobrevivência, então elas disparam perante o perigo, mas é importante saber que elas podem disparar mesmo quando não há perigo eminente.

Ter esse conhecimento auxilia o paciente a reagir impulsivamente, e ele é capaz de tomar as decisões mais adequadas perante uma situação.

Dica 9 – Oriente o paciente a tomar uma decisão construtiva e adequada

A dica de ontem foi ensinar ao paciente a ouvir o que suas emoções têm a dizer, você se lembra?

Depois de compreender a mensagem, é importante que o paciente decida o que fazer a respeito daquilo.

Nosso papel é orientá-lo a escolher realizar ações construtivas para si e para o outro.

A seguir, algumas orientações que podemos dar para ajudá-lo nessa tarefa:

  • encontrar uma solução para o problema e colocá-la em prática;
  • tolerar as emoções desconfortáveis até que elas passem;
  • ser gentil consigo mesmo;
  • relaxar o corpo através da respiração lenta e profunda;
  • estar totalmente presente nas atividades que realiza, tais como exercício, cozinhar, etc.

Também devemos instrui-lo que seu sucesso ou falha ao lidar com emoções negativas é sempre um aprendizado.

Dica 10 – O paciente precisa de prática

Aprender a lidar com as emoções desconfortáveis não é fácil, principalmente quando o paciente tem histórico de reprimir essas emoções.

Vai levar um tempo para que ele desapegue das estratégias que utilizava para evitar se sentir triste ou com raiva.

Aprender a lidar com as emoções é como aprender qualquer outra habilidade: pode ser desconfortável, difícil e demanda bastante esforço.

No entanto, depois que o paciente aprende de fato a aceitar aquelas emoções, esse processo se torna automático e ele passa a viver melhor.

Fonte

Positive Psychology – Repressing Emotions: 10 Ways to Reduce Emotional Avoidance

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