Como ocorre o aprendizado

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Neuroplasticidade, epigenética e neurogênese: esses são os três conceitos das neurociências que gosto de denominar de “a tríade da esperança” no contexto do aprendizado.

As neurociências nos trouxeram muita esperança de que é possível modificarmos nossos comportamentos ao nos apontar os procedimentos que ocorrem no nosso cérebro.

Toda vez que aprendemos um comportamento, é possível, por meio da repetição intencional, sedimentá-lo.

Esse comportamento, então, funcionará como fator de proteção psíquica.

Dessa forma, estaremos protegidos de quaisquer doenças da ordem da saúde que tenhamos em nosso DNA sem mesmo saber.

Além disso, poderemos aprender comportamentos de educação emocional!

1º conceito: Neuroplasticidade

A neuroplasticiade é a capacidade do cérebro de se modificar e de fazer novas conexões neurais.

Nossos neurônios se comunicam com outros através de sinapses.

Toda vez que aprendemos algo novo e desafiamos nosso cérebro, nossos neurônios farão novas sinapses, novos caminhos.

Resumindo, então: nosso cérebro é capaz de fazer novas conexões toda vez que o nosso ambiente se modifica.

Ainda, é através da repetição de comportamentos ou atividades que se sedimenta esse aprendizado.

Ao fazermos sempre as mesmas coisas, nosso cérebro fica “viciado” num caminho neural.

Nesse contexto, para promover a neuroplasticidade, é necessário desafiar o cérebro ao fazer coisas novas.

Estruturas cerebrais importantes para a neuroplasticidade

A seguir, quero abordar três estruturas do cérebro que são influenciadas pela neuroplasticidade.

Confira-as abaixo:

  1. Lobos frontais – Têm importante função no controle das emoções. São responsáveis pelos centros executivos e pelas funções mais nobres, tais como pensamento, julgamento, levantamento de hipótese e seleção de comportamento adequado. Além disso, são sedes da cognição, linguagem e escrita.
  2. Amígdala – Essa parte do nosso cérebro é decisiva se tratando de certas emoções negativas, tais como medo, raiva e angústia.
  3. Hipocampo – Responsável pela memória de curto e longo prazo. Suas principais funções são memória e reconhecimento de contexto (por conta dessa função, seu papel no aprendizado é fundamental). Pesquisas apontam que seu tamanho é reduzido em indivíduos com depressão e estresse pós-traumático.

Essas áreas são bastante influenciadas porque são atingidas pelas experiências repetidas e pelo ambiente emocional no qual o indivíduo cresce.

A respeito disso, estudos apontam que crianças em idade pré-escolar criadas em ambientes de incentivo e carinho são capazes de controlar melhor suas emoções.

Enquanto isso, crianças criadas em ambientes estressantes e instáveis têm o hipocampo 15% menor do que as criadas em ambientes estáveis.

Além do mais, um estudo realizado por Luby e colaboradores em 2012 nos informa que o apoio materno recebido na primeira infância prediz um volume maior no hipocampo da criança em idade escolar.

2º conceito: Neurogênese

Todos os dias, 10 mil células tronco nascem no nosso corpo e são direcionadas para onde há maior necessidade de auxílio para aprender alguma coisa.

Digamos que você tenha quebrado o braço e agora precise fazer fisioterapia para recuperar seus movimentos.

As células tronco se deslocarão até o seu braço para ajudá-lo a reaprender o movimento.

Esse processo é chamado de neurogênese.

E também vale para o aprendizado novo: se estamos tentando aprender a lidar melhor com nossas emoções, as células tronco irão nos auxiliar a sedimentar esse comportamento.

3º conceito: Epigenética

A última parte da tríade é a epigenética – a capacidade que nosso ambiente tem de vencer a nossa biologia.

Vou tentar elucidar com um exemplo: imagine que você tenha o DNA da ansiedade (comum na sua família).

Se você for criado em um ambiente no qual é incentivado a respirar e estar presente no momento presente, a ansiedade pode nunca se manifestar.

Dessa maneira, o ambiente de criação vence a biologia.

A ansiedade continua no seu DNA, mas por conta do seu ambiente, ela não se manifesta.

Isso significa que, dependendo de nossas ações, doenças da ordem da saúde mental que carregamos no DNA podem não se manifestar.

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