Como praticar o autocuidado

Tempo de leitura: 5 minutos

Hoje, quero falar sobre um tema muito importante: autocuidado.

Como anda o seu? E de seus pacientes, alunos e familiares?

Ter autocuidado, principalmente nos tempos em que estamos vivendo, é a coisa mais justa que podemos fazer por nós mesmos.

Costumo brincar com meus alunos que somos como uma laranja: oferecemos nosso suco para os outros e ficamos somente com o “bagaço” para nós.

Uma maneira de introduzir um novo hábito em nossas vidas é através de rituais.

Um erro muito grave que cometemos é ficar esperando ter vontade para fazer alguma coisa quando, na verdade, já devíamos ter começado.

Portanto, trarei dicas para realizar rituais e promover novos hábitos de autocuidado – e você pode ensinar tudo isso ao seu paciente, seus alunos e familiares.

Mas, primeiramente, quero falar sobre como ocorre a mudança no comportamento de uma pessoa.

Modelo transteórico de mudança

Quando falamos sobre mudança comportamental, gosto de explicar que existem passos para o processo de mudança.

Abaixo, apresento essas cinco etapas, pegando como exemplo o autocuidado:

  1. Pré-contemplação
    Nessa etapa, a pessoa ainda não tem noção de que precisa mudar alguma coisa. A pessoa não sabe que existem ações que podem ser feitas para realizar o autocuidado. Dessa forma, se faz necessário fazermos campanhas e falarmos sobre o assunto.
  2. Contemplação
    Aqui, a pessoa já sabe que existem algumas coisas que ela pode fazer para desenvolver seu autocuidado. É aqui que ela toma consciência que precisa daquilo e começa a analisar a vida referente a aquele tema.
  3. Preparação
    Nesse passo, a pessoa consegue elaborar formas de ter a mudança que deseja. Começa a refletir sobre quais rituais pode criar para que seu autocuidado seja favorecido, pesquisar sobre quais os tipos de autocuidado que irá implementar em sua vida e definir em que momento do dia ela fará o ritual, por exemplo.
  4. Manutenção
    Aqui, a pessoa já fez a mudança comportamental, ou seja, já começou o autocuidado.
  5. Recaída
    E, por fim, há a recaída. A pessoa pode estar firme e forte na mudança, mas precisamos compreender que existem situações que nos fazem recair. Quando isso acontece, retorna-se para o estágio de preparação para tentar novas maneiras de inserir o comportamento na vida

É um erro dar orientações para nossos pacientes sem sabermos em qual etapa estão.

Por exemplo: não adianta darmos orientações de manutenção se nosso paciente ainda está no estágio 1.

Assim, precisamos saber que tipo de orientações devemos dar de acordo com a etapa na qual ele se encontra.

Que autocuidado precisamos ter?

A seguir, quero apresentar vários tipos de autocuidado que precisamos ter.

Físico

Consiste, basicamente, em cuidar do corpo.

  1. Ter higiene do sono: dormir no mesmo horário, num ambiente silencioso, sem verificar celular… Alguns rituais para dormir melhor são: antes de dormir, escreva o que te preocupa para que possa dormir sem se preocupar com aquilo, pois você irá resolver no dia seguinte. Faça respirações lentas e profundas ou alongamentos leves na cama.
  2. Descansar: ter durante o dia momentos nos quais você descansa, tal como ilhas de lazer.
  3. Atividade física: aulas de yoga, pular corda…. nosso corpo precisa se movimentar!
  4. Massagens: tudo que relaxa o corpo relaxa a mente. Peça para seu parceiro/filho fazer uma massagem ou faça com aparelhos de massagem.
  5. Sexo: ajuda a regular a homeostase do cérebro, além de gerar prazer.

Emocional

Para mantermos nosso autocuidado emocional, precisamos muito de recursos para manejo de estresse.

Primeiramente, precisamos saber que o estresse possui duas fontes: internas e externas.

As fontes internas de estresse são causadas por pensamentos distorcidos e por pensamentos de que não damos conta, enquanto as fontes externas são o ambiente.

Para lidar com as fontes internas, é necessária uma reestruturação cognitiva, ou seja, correção dos pensamentos distorcidos.

Já para lidar com o ambiente, são recomendados exercícios de relaxamento e de respiração, tal como a respiração de quatro tempos.

Além disso, a assertividade também ajuda muito no manejo de estresse – você pode fazer download do e-book gratuito que eu fiz sobre isso aqui.

Outro recurso é o cultivo de emoções positivas, pois já sabemos que elas desfazem os efeitos nocivos do estresse.

Lembrando que emoções positivas são várias, tais como serenidade, tranquilidade, alegria, diversão, interesse, esperança, orgulho…

E, por fim, também podemos utilizar da compaixão e autocompaixão: a compaixão é querer aliviar o sofrimento do outro, enquanto autocompaixão é querer aliviar o próprio sofrimento.

Espiritual

O autocuidado espiritual também conta, e muito.

Isso porque a espiritualidade protege e faz bem.

Quando estive na Austrália, no Congresso Mundial de Psicologia Positiva, que foi no ano passado, vi muitas pesquisas que comprovam como o cultivo da espiritualidade protege de uma série de problemas e nos auxilia a nos recuperarmos de adversidades.

Cito algumas maneiras através das quais é possível cultivar a espiritualidade:

  • meditação: a prática do mindfulness é excelente, como falamos aqui anteriormente.
  • conexão com a natureza: traz bem-estar e felicidade.
  • estudo: estudar faz bem, é o alimento da alma.
  • oração: se conectar com a emoção positiva e proferir uma oração sincera.
  • gratidão: durante a prática da gratidão é possível transcender, pois nos ligamos a algo maior.

Social

Consiste na manutenção de nossas relações interpessoais.

Podemos cultivá-lo através do entretenimento em grupo e do ato de sermos ouvidos.

Encontrar amigos, tomar um café, fazer uma janta, pedir ajuda, conversar… tudo isso fortalece o autocuidado social.

Considerações finais sobre autocuidado

Reforço: a melhor forma de termos autocuidado é através da criação de rituais que podemos inserir em nosso dia a dia.

Criar rituais ajuda a realizar a atividade mais vezes, se tornando um habito, pois o ritual é o que nos auxilia na manutenção.

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