Como preparar crianças para uma consulta

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Sabemos que pode ser complicado preparar uma criança para uma consulta médica, principalmente na primeira vez.

Por isso, trago algumas orientações para auxiliar pais e/ou cuidadores a prepararem as crianças para esse momento, seja uma consulta ao pediatra, dentista ou profissional da saúde mental.

Os pais podem ajudar a criança a controlar e a diminuir a ansiedade e o medo perante situações como uma consulta médica.

As crianças pequenas ainda não têm capacidade para compreender a dor e, assim, não sabem como lidar com uma experiência que pode causar desconforto. 

Mesmo que você a prepare, muitas vezes a consulta/tratamento serão experiências desagradáveis para a criança.

Por essa razão, o preparo pode ter papel determinante na aprendizagem do enfrentamento de situações semelhantes no futuro.

É muito importante que a criança reconheça a vantagem de ir ao médico quando está doente ou simplesmente para confirmar se está tudo bem.

Portanto, explique o o porquê da ida ao médico em linguagem simples e adequada à sua idade e nível de compreensão.

Se a criança compreender o que vai se passar, vai sentir-se mais confiante e tranquila.

Dessa forma, conversar com seu filho dissipa fantasias e medos que podem ser gerados pelo desconhecido.

Além disso, brinque de médico com seu filho.

Use um boneco e faça de conta que ele está numa consulta ou que vai tomar uma vacina e vá explicando os procedimentos de forma simples.

Ainda, esteja tranquilo ao acompanhar seu filho ao médico/dentista.

Transmita-lhe normalidade e ajude-o a encarar o acontecimento como algo que contribuirá para não ter problemas, crescer forte e saudável e ficar bom depressa. 

O que explicar às crianças sobre consultas 

  1. O médico pode pedir que suba em uma balança para pesar você e medir sua altura
  2. Ele pode usar um estetoscópio, que é simplesmente um tubo através do qual o médico escuta os sons de seu coração e pulmões
  3. Ele pode usar uma lanterna para olhar em espaços pequenos, como suas orelhas ou nariz. Pode também usar um palito parecido com o de sorvete para examinar sua garganta. Nenhuma dessas coisas vai lhe causar dor. 
  4. O médico pode medir sua pressão sanguínea, com um aparelhinho que vai provocar uma sensação de aperto em seu braço. É rapidinho, aperta e já solta. 
  5. O médico ou a enfermeira podem te aplicar uma injeção. A agulhada pode doer um pouco, mas o remédio ajuda o seu corpo a se curar mais rápido.
  6. A enfermeira pode tirar um pouco de sangue para exame. Isto irá ajudar o médico a identificar se está tudo bem. Pode doer um pouco, mas fique firme e não se mexa que logo acaba. 

Ida ao dentista

A experiência odontológica pode provocar ansiedade nas crianças.

Declare a finalidade da visita e descreva o que a criança irá ver: a cadeira reclinável, a luz forte e o carrinho com os instrumentos odontológicos.

Além disso, seja honesto ao responder a quaisquer perguntas que seu filho possa ter a respeito da experiência, inclusive os desconfortos e dores possíveis.

Diga que não sabe a resposta (quando realmente não souber) e incentive-o a perguntar ao dentista.

Exprima confiança na habilidade dela em lidar com a situação  

Você também deve ensinar a criança estratégias para enfrentar a tensão.

Diga-lhe para relaxar, dizendo para si mesma “se eu ficar com medo ou preocupada, direi a mim mesma para respirar devagar e profundamente, então repetirei para mim mesma que este é um bom dentista, está tudo bem, posso enfrentar isso.”

Pesquisas têm mostrado que essas estratégias podem ajudar as crianças a reduzirem a ansiedade/tensão associadas ao tratamento dentário. 

Finalmente, antes da primeira consulta, seria uma boa ideia se ela acompanhasse alguém em uma consulta ao dentista.

Observando um membro da família ou amigo neste contexto, a criança estará mais bem preparada para submeter-se a ele.

Consulta ao psiquiatra ou psicólogo

As atitudes da sociedade a respeito de profissionais de saúde mental mudaram de forma marcante nos últimos anos.

Há uma maior aceitação do fato de que consultar um psicólogo ou psiquiatra não é diferente de buscar os serviços de um pediatra.

Preparar seu filho para uma visita a um profissional de saúde mental é importante.

Isso se dá porque uma avaliação ou sessão de terapia satisfatória dependem muito da cooperação da criança com o profissional.

Sem uma preparação antecipada, muitas crianças serão resistentes, não colaborativas ou ficarão com raiva e você e/ou do terapeuta.

Como falar a uma criança que precisa ir a uma consulta com profissional da saúde mental?

A criança deve ser informada pelos próprios pais a respeito das preocupações que eles têm em relação a ela.

Além de ser um direito dela desse esclarecimento auxilia muito o processo terapêutico.

Você pode preparar a criança dizendo “Marquei uma hora para você ver a Dra. Maria a respeito de… (controlar o seu mau humor, prestar atenção na escola, etc). A Dra. Maria não é do tipo que aplica injeções, ela é uma psiquiatra e vai nos ajudar com esses problemas”.

Sobre o psicólogo você pode dizer:

“Um psicólogo é alguém que conversa com as crianças sobre como elas estão na escola, como estão se comportando em casa, e em que precisam de ajuda. Ela não tira a temperatura nem nada parecido, ele apenas conversa com as crianças, brinca e ensina umas ideias novas de como lidar com os velhos problemas. Nós já estivemos lá conversando e agora é sua vez”.

Para perguntas adicionais procure incentivá-la a perguntar ao próprio terapeuta.

Você pode esperar muita resistência se disser “Vamos ter que levá-lo a um psicólogo para descobrir o que está acontecendo com você” em tom de ameaça.

Ameaças somente aumentam a relutância da criança em aceitar ajuda, uma vez que associam ajuda com castigo.

Ao contrário, você poderia dizer “Todos nós estamos tendo dificuldades de relacionamento na família. Precisamos de ajuda para descobrir um modo melhor de nos relacionarmos” .

Também pode falar algo do tipo “Estamos preocupados com você. Este problema não parece estar melhorando, ele volta e não parece estar sob seu controle. Achamos que a psicóloga pode nos ajudar”.

E com crianças mais velhas?

Já para crianças mais velhas, diga algo como “Quando não conseguimos lidar com nossas emoções, ficamos muito nervosos, ansiosos, explosivos ou irritados e podemos necessitar de auxílio profissional”.

Sobre o psiquiatra, você pode dizer “Um psiquiatra é um médico que ajuda as crianças com um remedinho (para se concentrar mais, para ficar menos nervoso..). Ele vai conversar com você para avaliar se um remédio vai ajudar e se sim, qual o melhor para você”.

Uma criança mais velha pode resistir à sua sugestão de busca por auxílio e estará pronta para responder: “Mas eu não quero ir. Não sou louco”.

Neste caso, você pode responder com “Compreendo que você não queira ir. Muitas pessoas vão a terapeutas e poucas se comportam de forma louca. Não achamos que você esteja louco, apenas estamos preocupados e gostaríamos de ter alguma orientação.”

Deixe claro que quando há problemas de saúde ou de comportamento é dever dos pais providenciar a ajuda necessária, e que isso não é decisão da criança.

A primeira consulta

Assegure a ela que você a acompanhará, e que eventualmente os profissionais vão querer conversar só com ela.

Ademais, diga que tudo bem ela ficar sozinha, responder as perguntas e falar o que quiser; que você a aguardará na sala de espera.

No entanto, se ainda assim ela apresentar resistência, dê-lhe um objeto pessoal para levar consigo.

Quando a criança fica com a chave do carro, por exemplo, ela fica mais segura de que você não irá a lugar algum. 

Essa é uma estratégia aceitável para primeira consulta/sessão.

Depois, suspensa esse recurso e seja firme “Você já viu como é a consulta. Confie em mim e não na chave do carro. Leve X então (pode ser um brinquedo, uma pelúcia ou objeto qualquer)”.

A ideia é que ela se apoie cada vez menos num recurso auxiliar, e que esse seja cada vez menos significativo.

Afinal, profissionais que trabalham com crianças preparam seu ambiente e seus procedimentos para que sejam os mais agradáveis possíveis à clientela infantil.

Você também pode ensinar exercícios de respiração para que a criança se sinta menos ansiosa.

Compartilhei um ótimo exercício para crianças aqui.

Fonte

Orientações extraídas do livro “Respondo o quê? – Problemas e dilemas” , da psicóloga Cynthia Borges de Moura.

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