Como resolver briga entre filhos

Tempo de leitura: 7 minutos

Hoje, trago as orientações da psicóloga Cynthia Borges de Moura para lidar com briga entre filhos.

Essas instruções foram extraídas do livro “Respondo o quê? – Problemas e Dilemas”.

Mas e por que decidi trazer esse tema?

Porque irmãos brigam! E diante da pandemia que estamos enfrentando, com crianças confinadas em casa, achei que as dicas poderiam ser de grande valia.

Sabemos que podem haver conflitos, desacordos e discussões por todo e qualquer motivo: um lugar no carro, um brinquedo, a última bolacha do pacote.

Frente às constantes brigas entre filhos, os pais podem acabar sentindo-se culpados, e isso se dá por 2 motivos.

Culpados por não conseguirem evitar as brigas ou por fracassarem ao tentar resolvê-las – em alguns casos, por ambos!

No entanto, dependendo da forma que as brigas são contornadas, as desavenças podem ser construtivas e até trazer vantagens futuras.

Quando os conflitos entre irmãos ocorrem dentro de um contexto que também envolve momentos de carinho, parceria e cumplicidade, não devem ser motivo de preocupação excessiva, basta monitorar e orientar.

Porém, atitudes frequentes que ferem física ou psicologicamente ou denigrem o irmão é sinal de alerta.

Como lidar com brigas entre os filhos?

Abaixo, algumas dicas para lidar com conflitos.

Ensine princípios e estabeleça regras de convívio

Reúna a família para uma conversa séria, para que as regras da casa sejam discutidas e estabelecidas.

Conceitos éticos, como respeito, compreensão, aceitação e tolerância em relação às diferenças devem ser ensinados e requeridos.

Para isso você pode explicar para as crianças que numa família o ambiente tem que ser bom para todos, porque se está bom só para uns em detrimento de outros, alguma coisa está errada.

Com base nesse raciocínio, faça acordos ou combinados em relação às fontes de desacordo.

Estabeleça não só o comportamento esperado, mas as consequências por brigas e mau comportamento.

Os pais podem organizar a conversa, ouvir as ideias das crianças quanto às regras e mediar, avaliando a adequação das propostas.

Lembre-se que, quando elas participam das decisões, torna-se mais provável que cumpram o combinado e, assim, tanto a frequência quanto a intensidade das brigas pode ser reduzida.

Caso as crianças não sejam capazes de entrar num acordo, é importante impor a solução por um tempo determinado.

Converse

Especialistas concordam que essa ainda é a melhor maneira de educar e impor limites.

O problema é que uma única conversa não resolve.

É necessário insistir, repetir e falar pacientemente de novo para que o diálogo surta efeito. E principalmente, dar o exemplo!

Se as tentativas de resolução são feitas com brigas e gritaria, não dá para esperar que as crianças ajam diferentemente.

Um grito pode até parecer a única saída no momento em que a situação está fervendo.

Porém, em longo prazo, levantar o tom de voz atrapalha: ou elas aprendem a contornar seus conflitos gritando ou ficam intimidadas e param de brigar por medo, e não por concordância ou entendimento.

De qualquer forma, não desperta o respeito nem ensina a criança o que fazer para resolver um problema.

Ensine a dividir e a cooperar

Com certeza, a principal razão de briga entre filhos é por brinquedos.

Eles podem nem estar interessados naquele jogo antigo, mas basta um deles pegá-lo para que os outros queiram também.

Ensinar a dividir dá trabalho, e é compreensível que o impulso dos pais seja tirar o objeto de circulação pois, aparentemente, resolve o problema.

Porém, a única coisa que muda é o objeto de disputa: se você tira um brinquedo, eles vão competir por outro.

O jeito é estabelecer limites: se eles não estão sabendo dividir, você determina como fazer.

Outra solução é incentivá-los a decidir juntos como compartilhar, como cooperar, ao invés de disputar.

Obtida a conclusão de como a brincadeira em conjunto vai acontecer, o brinquedo é liberado, logo poderão voltar a brincar.

E não se esqueça de valorizar esses momentos de interação positiva entre as crianças. 

Avalie a hora de intervir

De início, pais devem atuar como mediadores, dando modelo e propondo (às vezes impondo) soluções, para que a habilidade de resolução de conflitos se estabeleça.

Aos poucos vá deixando que as próprias crianças resolvam sozinhas seus desentendimentos.

Alguma briga entre filhos é normal, e se ela não ocorrer, não há como aprender a resolver as diferenças.

Entre em cena se a briga prolongar-se ou transformar-se em agressão física.

Nesse caso, ouça todos os lados, para poder ponderar e mediar o conflito, pois nem todas as situações entre irmãos requerem punição coletiva.

Faça justiça (sem levar em conta a idade)

Não proteja o irmão menor apenas por ser o mais novo, apesar da tentação de proteger o menor ser grande.

Muitos pais caem nessa armadilha, privilegiando filhos caçulas, mesmo quando os maiores têm razão.

Fique atento para não cair na tentação de passar a mão na cabeça do menor, que aprende rapidinho a se aproveitar da situação.

Crianças de diferentes idades possuem interesses e necessidades particulares que devem ser respeitados pelos irmãos.

Os pais podem até exigir uma postura mais madura do mais velho, mas devem também exigir comportamentos proporcionais à idade dos menores.

Se o pequeno já entende e abusa, não deve ser protegido apenas porque é menor.

Isso só produzirá raiva e ressentimento, principalmente se o maior sempre for repreendido ou punido.

Procure ser justo e aponte os erros de cada um, assim como a sanção que cada um vai sofrer, conforme combinado.

Imponha limites sem ofender ou agredir

Seja na hora do conflito ou depois, inevitavelmente os pais precisarão repreender a briga entre filhos e estabelecer limites.

Mas como fazer isso?

Já falamos sobre isso aqui, anteriormente.

Não adianta bater ou castigar severamente um filho agressor, porque, assim, os pais resolverão a “agressão com agressão”.

O efeito esperado é que ele pare apenas sob ameaça, quando os pais viram as costas ele repete o comportamento.

Além de não agredir, não faça comparações, nem censure a criança com adjetivos que a ofendam, dizendo, por exemplo, que ele é “um teimoso mesmo”.

O certo é desaprovar o comportamento da criança, não a criança.

Diga: “por que você já está teimando com isso, se já sabe como resolver de outra forma?”.

Outra dica é tentar despertar a empatia entre as crianças perguntando como se sentiria se estivesse no lugar do irmão.

É uma forma de ensinar aos filhos a perceber os sentimentos envolvidos, entender o ponto de vista dos outros e agir pensando no bem-estar da relação. 

Tenha um tempo de qualidade com cada filho

Em muitas situações briga entre filhos, o ciúme está presente.

Se uma criança sente que está sendo deixada de lado (e em algumas situações pode mesmo estar) pode iniciar um conflito, na tentativa (não consciente) de diminuir o irmão que ela sente que está por cima.

Assim, se as brigas são permeadas por ciúmes, é importante que os pais tenham um tempo de qualidade exclusivo com cada filho.

A atenção exclusiva garante que os pais tenham cumplicidade com cada criança, fortalecendo o vínculo e a segurança no amor dos pais, e que os irmãos não sintam que estão em desvantagem uns em relação aos outros.

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