Compreendendo a atenção plena

Tempo de leitura: 4 minutos

Vamos descomplicar a atenção plena (mindfulness)?

Quem é meu aluno está cansado de me ouvir falar que as práticas atencionais facilitam a regulação emocional.

Muito me perguntam a respeito dessas práticas, e a atenção plena é uma delas.

A atenção plena é o foco de atenção prolongado e intencional voltado ao momento presente, sem julgamentos.

A própria intenção de praticar com regularidade e suavidade – quer você esteja com vontade ou não – é uma disciplina poderosa e terapêutica.

O que é a atenção plena?

A atenção plena é o cultivo da consciência através da aplicação cuidadosa, sistemática e disciplinada da atenção.

Esses objetos da atenção podem ser qualquer coisa no campo da nossa experiência: aquilo que percebemos através da visão, da audição, do olfato, do paladar e do tato, além de nossas sensações em qualquer momento.

No entanto, o aspecto mais importante da atenção plena é a consciência, que sente e sabe que a respiração está acontecendo neste momento, que a audição está acontecendo nesse momento, que os pensamentos estão passando pelo céu da mente.

Essa consciência já é nossa e já está disponível; pode ser acessada a qualquer momento.

É uma prática meditativa?

A atenção plena pode ser considerada uma meditação se você considerar que meditação é qualquer forma de:

  • (1) sistematicamente regular nossa atenção e energia
  • (2) influenciando e possivelmente transformando a qualidade de nossa experiência
  • (3) a fim de realizar em sua plenitude a nossa humanidade e
  • (4) os nossos relacionamentos com os outros e com o mundo.

É muito importante entender que a meditação consiste em fazer amizade com seu pensamento, mantê-lo delicadamente na consciência, não importa o que esteja ocupando a sua mente num dado momento.

É importante ressaltar que não se trata de interromper seus pensamentos nem de mudá-los.

Assim, a meditação não significa sugerir que seria melhor não pensar ou suprimir os pensamentos.

Existem benefícios cientificamente comprovados da atenção plena?

Mindfulness é uma prática com muito embasamento científico.

A atenção plena e sua utilização na área da saúde e do combate a doenças têm sido tema cada vez mais frequente de estudos e descobertas nas últimas quatro décadas, desde a fundação da Clínica de Redução do Estresse e do Programa de Redução do Estresse Baseado na Atenção Plena (MBSR) em 1979, no Centro Médico da Universidade de Massachusetts. 

O treinamento em atenção plena na forma de MBSR tem se revelado altamente eficaz em reduzir o estresse e problemas relacionados, tais como ansiedade, pânico e depressão.

Além disso, a prática também se mostrou útil para:

  • ajudar os portadores de dor crônica a viver melhor
  • melhorar a qualidade de vida de pessoas com câncer e esclerose múltipla
  • reduzir as recaídas em pacientes com um histórico de depressão grave.

O MBSR também afeta de maneira positiva a forma como o cérebro processa emoções difíceis sob estresse, passando a ativar as áreas do lado esquerdo do córtex pré-frontal, mas as do esquerdo – na direção de um maior equilíbrio emocional.

A MBSR também induz mudanças positivas no sistema imunológico – relacionadas com as mudanças que causa no cérebro. 

MBSR também resulta em mudanças estruturais no cérebro: o espessamento de certas regiões, como o hipocampo, que desempenha papéis importantes no aprendizado e na memória, e a redução de outras regiões, como a amígdala direita, uma estrutura do sistema límbico que regula nossas reações de medo frente a ameaças de qualquer tipo, o que inclui a frustração dos nossos desejos.

Podemos praticar através da respiração

Se você parar para pensar, verá que normalmente não damos valor à respiração.

Nossa respiração pode servir como um primeiro objeto ao qual voltar a atenção para nos trazer de volta ao momento presente.

Isso se dá porque sempre estamos respirando no agora – a última expiração acabou, a próxima inspiração ainda não chegou.

Assim, a respiração é uma âncora ideal, capaz de nos manter no momento presente. 

Buda ensinou que a respiração contém em si tudo que você precisa para cultivar a plenitude de sua humanidade, especialmente sua sabedoria e sua compaixão.

No entanto, nenhum objeto a que voltamos a atenção é importante por si mesmo.

Os objetos de atenção nos ajudam a estar presentes de forma mais estável.

Assim, podemos perceber que o que importa de verdade é o próprio ato de estar presente; a consciência é o que importa.

Fonte

Livro Atenção Plena para Iniciantes, autor Jon Kabat-Zinn. Editora Sextante, 2019.

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