Compreendendo o estresse

Tempo de leitura: 4 minutos

Hoje, quero conversar sobre um tema que atinge a todos nós quase que diariamente: o estresse.

Qualquer situação que desperte uma emoção, “boa” ou “má”, que exige uma mudança, pode ser uma fonte de estresse.

Isso quer dizer que ele não surge só por eventos negativos – qualquer situação que exige uma mudança causa estresse, mesmo uma boa, como casar, ter filhos, comprar uma casa ou começar em um novo emprego.

Esse tema é fundamental: precisamos entender o funcionamento do estresse para que possamos explicá-lo ao nosso paciente.

Outro fato essencial para sabermos a respeito do estresse é que ele piora tudo.

Só quem está morto não tem estresse.

Hans Selye, pai da estressologia

Como compreender o estresse emocional?

Hoje, perante o estresse, ainda reagimos da mesma forma fisiológica que nossos antepassados quando viam mamutes: ativamos as respostas de luta, fuga ou congelamento.

É importante ressaltar que o estresse possui quatro componentes:

  • físico: nosso corpo é preparado para uma ação;
  • psicológico: pensamos a respeito da situação, se damos conta ou não;
  • mentais: verificamos quais recursos temos à disposição e o que fizemos em situações semelhantes anteriores;
  • hormonais: neuro-hormônios produzidos no cérebro são liberados em nossa corrente sanguínea.

Ainda, existem três fontes básicas de estresse:

  1. meio ambiente: mobilidade urbana, violência, falta de recursos, negligência;
  2. pensamentos: a interpretação que fazemos a respeito de uma situação É muito importante sabermos que podemos evitar essa fonte, pois podemos corrigir pensamentos distorcidos;
  3. nosso corpo: mudanças no corpo tais como menopausa, adolescência ou um braço quebrado.

Como começa o estresse?

1. Avaliação da situação

Avalio o que está acontecendo ao meu redor de acordo com meus pensamentos, o que pode intensificar o estresse por conta da interpretação errônea.

2. Falta de habilidade para lidar com a situação

Fico mais estressado(a), também, quando acho que não dou conta de lidar com uma determinada situação ou tarefa.

No entanto, essa incapacidade costuma existir somente em nossos pensamentos.

3. Falta de recursos para superar o estressor

A sensação de impotência aumenta o estresse.

Podemos pegar como exemplo um fator ambiental: a violência.

Se não tenho recursos para me mudar de ambiente e fugir da violência, meu estresse será aumentado.

Como isso funciona no corpo?

A função do cérebro é manter a sobrevivência e o equilíbrio.

Como falamos anteriormente, qualquer mudança quebra esse equilíbrio.

Dentro do nosso cérebro, o hipotálamo, que é responsável por regular nossas funções vitais, tais como sono e vigília, tem sua atividade alterada por conta do estresse.

É por isso que há alteração no sono: ou a pessoa possui insônia ou acorda várias vezes à noite.

Além disso, essa alteração na atividade hipotalâmica gera neuro-hormônios que são enviados à hipófise.

A hipófise, então, envia esses neuro-hormônios para a glândula adrenal, que os libera na nossa corrente sanguínea.

Todo esse processo desregula o nosso organismo, pois esses neuro-hormônios alteram nosso sistema imune, os nossos músculos, o fígado, nossos adipócitos e nossa frequência cardíaca.

3 fases do estresse

A seguir, falamos sobre as três fases e quais os sintomas associados.

É importante ressaltar que esses são os sintomas comuns, mas não é regra que toda pessoa tenha que passar por isso.

Fase alerta

Nessa etapa, o estresse é leve.

Os sintomas são hiperatividade, respiração acelerada, insônia (lembre-se sobre a atividade hipotalâmica), taquicardia, tensão muscular, aumento na libido (o sexo é uma forma de regularmos o equilíbrio), sudorese, diarreia passageira, resistência, cansaço, problemas de memória, queda de libido e dificuldade de concentração.

Fase de resistência

Aqui, iniciam doenças físicas e psicológicas às quais já temos pré-disposição genética.

Repito o que falei no começo do texto: o estresse piora tudo.

Digamos que sua mãe e sua avó sejam ansiosas – isso quer dizer que você tem o gene da ansiedade, ou seja, uma pré-disposição genética.

Ao sofrer de um estresse, essa pré-disposição é despertada.

Basicamente, ele “acorda” genes adormecidos, nos fazendo adoecer.

Ainda, os sintomas dessa fase são todos os anteriores, porém em maior quantidade e intensidade.

Fase de exaustão

Consiste em cansaço extremo, dificuldade de trabalhar ou estudar, ansiedade diária, mau-humor, vontade de sumir, pesadelos frequentes e doenças, físicas ou psicológicas, já instaladas.

Todo esse conhecimento é importante para que tenhamos ações em cima disso.

Lembre-se: só não tem estresse quem está morto.

Falo mais sobre isso num vídeo do meu canal no YouTube – confira clicando aqui.

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