Educação emocional na adolescência

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Vou começar o post de hoje perguntando o seguinte: você acha que é possível evitar a “crise” da adolescência?

A resposta é não.

O que é possível é ajudarmos e contribuirmos com o adolescente, para que ele passe de forma mais leve por essa fase.

Descobertas das neurociências sobre a adolescência

As descobertas das neurociências, feitas através de estudos longitudinais, nos apontam um padrão de maturação no cérebro do adolescente.

O que são estudos longitudinais?

Estudos que acompanham determinado grupo de pessoas por um longo período, neste caso, crianças.

Esses estudos acompanharam as crianças por mais de 10 anos, verificando mudanças naturais em seus cérebros.

Por que essas descobertas são importantes?

Antes, achava-se que a adolescência era só uma consequência de hormônios.

No entanto, essas descobertas nos apontaram que a adolescência é uma consequência do próprio cérebro.

Assim, o comportamento adolescente é fruto de um cérebro em transformação.

E nós, profissionais, precisamos saber disso para que possamos ajudá-los a enfrentarem essa fase.

Nós precisamos acabar com o que nos diz o senso comum.

Quer ouvir um exemplo?

“Adolescência é assim mesmo… O adolescente não gosta de nada, não quer saber de nada. É um aborrecente.”

Adultos que dizem isso reforçam essas crenças, que não ajudam o adolescente em nada.

O cérebro amadurecido durante a adolescência

Um dos pontos centrais e iniciais do ensino de educação emocional aos adolescentes é ouvir.

Como o cérebro está amadurecendo, o adolescente apresenta, na adolescência, algumas competências que não tinha na infância.

Uma dessas competências é a capacidade de criar teorias e de pensar no seu desdobramento.

Essas competências precisam ser exercitadas, pois o cérebro está ávido por algo novo.

É por isso que precisamos ter uma postura de ouvir o que o adolescente tem a dizer.

Ainda, a educação emocional passa por várias habilidades que devemos ensinar aos adolescentes.

E, sim, é necessário ensinar, pois eles não podem aprender sozinhos.

Se não ensinamos essas habilidades, estamos deixando um cérebro vulnerável à mercê, pois como falei acima, ele busca aprender.

Aproveitamos essa vontade ensinando novidades construtivas e habilidades para a vida.

Espaços de escuta

No nosso caderno de Educação Emocional Positiva para adolescentes, por exemplo, a primeira atividade é sobre ouvir.

O adulto precisa ter essa disponibilidade para escutar, pois assim o adolescente se sente validado.

Não somente ele é validado como também sua nova competência adquirida – a de fazer questionamentos, entender filosofias e hipóteses.

Por isso, é comum que o adolescente passe a questionar o que acontece ao seu redor.

Mas atenção: isso não acontece porque ele não respeita aquilo que está questionando, mas sim porque seu cérebro agora é capaz de entender algo que vai além de uma crença sólida.

Nesse sentido, algo que prejudica as relações interpessoais é quando o adulto próximo a ele acha que seus questionamentos são pessoais.

Novamente, reforço: ao ter essa postura de ouvir, é possível gerar conexão, outro item fundamental para o adolescente.

Também é necessário ouvir com respeito!

Quando o adolescente começa a dizer alguma coisa e você já replica com um sermão, essa conexão é quebrada e ele não valida sua competência.

Consciência emocional

A consciência emocional trata-se de estarmos conscientes de nossos estados emocionais, além de onde sentimos essas emoções no corpo.

Muitos adultos, por exemplo, não tem consciência emocional e, por isso, não associam a tensão que sentem no pescoço a uma preocupação.

Uma ideia para trabalhar a consciência emocional é em grupos, pois o adolescente adora e precisa estar em um grupo.

A interação social é fundamental nessa etapa; ele precisa desse engajamento.

Pergunte ao grupo, por exemplo, onde eles sentem a emoção MEDO.

Alguns dirão que é no peito, outros que é na cabeça, outros que é no coração… esse compartilhamento faz com que o adolescente receba aquilo que mais precisa: interação e validação de seu grupo; pertencimento.

Correção de pensamentos distorcidos

Identificar e corrigir as distorções cognitivas.

Exercícios de interiorização

Ensinando exercícios de interiorização, ensinamos a tolerar emoções desconfortáveis.

Demonstramos que todas as emoções são passageiras e estamos dando habilidades para que lidem com as emoções.

Forças Pessoais

Reconhecer os pontos fortes e pontuá-los para o próprio adolescente é importante.

Ele precisa de informações positivas a respeito de si mesmo, porque isso é fundamental para a criação de sua identidade.

É possível fazer o teste de Forças Pessoas pelo link http://www.viacharacter.org/www/

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