Esquemas mentais de Jeffrey Young, parte I

Tempo de leitura: 4 minutos

Já falamos de esquemas mentais aqui rapidamente. Você se lembra?

Hoje, no entanto, vamos nos aprofundar nesse assunto que é tão importante para a psicologia.

Origem dos esquemas

Nós desenvolvemos nossa personalidade através das relações vividas nos anos iniciais da vida. Somos apresentados ao mundo quando bebês pelas pessoas que nos embalam e nos cuidam. Se essa pessoa for afetiva, iremos crescer acreditando que o mundo é um lugar seguro, tranquilo e bom. Mas se essa pessoa for descuidada, passamos a crer que o mundo é perigoso e pode nos causar danos. 

Visualize o seguinte exemplo: um bebê é embalado pela mãe tranquilamente enquanto ela lhe canta uma canção de ninar. Esse bebê irá se tornar um indivíduo sereno. Agora, visualize outra situação: um outro bebê é sacudido para que pare de chorar e durma. Dessa forma, esse bebê irá enfrentar uma infância e vida conturbadas.

Já na infância e adolescência, o desenvolvimento emocional sadio é produzido por tarefas primárias sociais e emocionais. Quando essas tarefas – relações – não são atendidas, o esquema mental nasce. Geralmente essas necessidades de relações interpessoais não são supridas pela própria família.

Implicações na vida

Após instalados, os esquemas fazem com que o indivíduo tenha uma visão distorcida do mundo, do outro e de si próprio. Além disso, há prejuízos relacionados a autoestima, saúde e relacionamentos.

Suas repercussões também são vistas na vida adulta, na qual existe um vínculo inseguro, autonomia prejudicada, problemas de competência e identidade, problemas para expressar emoções, problemas na espontaneidade e lazer e limites realistas e autocontrole insuficientes.

Definição do esquema

Podemos resumir o esquema a um mapa da realidade ou a um padrão de vida. A pessoa o utiliza para explicar todo e qualquer acontecimento de sua vida através de diálogos internos.

A crença (esquema) gera um pensamento, que causa um sentimento, que promove um comportamento. Ao efetivar o comportamento, o indivíduo estará reforçando a crença. É um ciclo vicioso.

Esquemas por Jeffrey Young

Para Jeffrey Young, um dos grandes nomes da psicoterapia mundial, um esquema desadaptativo remoto é:

  • um padrão amplo, difuso;
  • formado por memórias explícitas (1) e implícitas (2)
    1. as memórias explícitas são as relatadas pela pessoa;
    2. as memórias implícitas são as emoções e sensações corporais sentidas durante um evento – geralmente não se tem consciência delas.
      • Um exemplo de memória implícita é o de uma pessoa que tenha sido assaltada por um indivíduo de camiseta branca. Ao ser assaltada, sente dor de estômago e raiva de si mesma por não poder evitar o ocorrido. Dessa forma, quando avista alguém de camiseta branca, sente a mesma dor de estômago e raiva de si, mesmo sem ter ideia de onde vem esse sentimento.
  • relacionado a si próprio ou aos relacionamentos com outras pessoas;
  • desenvolvido durante a infância ou adolescência;
  • aprimorado ao longo da vida do indivíduo;
  • disfuncional em nível significativo.

Todos esses itens listados nos indicam que o sofrimento emocional de quem possui um esquema não provém do evento em si, mas sim do modo como a pessoa o interpreta. Essa interpretação é causada pelos pensamentos distorcidos gerados pelo esquema mental.

Ciclo dos esquemas

O esquema mental é um ciclo destrutivo. Durante toda sua existência, o indivíduo repete suas vivências, pois seu padrão de funcionamento é baseado em esquemas disfuncionais, ou seja, esquemas ruins.

Um exemplo claro é o de uma pessoa que tenha sofrido algum tipo de negligência, um abandono físico ou emocional, na infância. Essa pessoa terá a crença nuclear que, eventualmente, será abandonada. Tal crença gera pensamentos que se desencadeiam a partir de “gatilhos” e põem em ação um modo distorcido de fazer autodeclarações.

Na vida adulta, a pessoa abandonada citada acima irá deduzir que se o(a) companheiro(a) se atrasa para um compromisso, ele(a) não a ama mais e logo irá abandoná-la. Consequentemente, esses pensamentos fazem com que a pessoa se torne ansiosa e tenha comportamentos desproporcionais, sufocando o(a) parceiro(a). O(a) companheiro(a), então, não aguenta a conduta possessiva e acaba a relação, reforçando assim a crença.

Esse é o ciclo destrutivo: o indivíduo cria “profecias” para sua vida que se cumprem por conta de seu próprio comportamento, mesmo que inconscientemente. Ele irá reproduzir os papeis e ações disfuncionais que aprendeu na infância, na qual foi abandonado.


No próximo post, você irá conferir a continuação dos esquemas mentais de Jeffrey Young. Falaremos sobre os domínios dos esquemas e a maneira saudável de combatê-los.

Não perca!

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