Estabelecendo limites com crianças

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Hoje, quero trazer algumas orientações para estabelecer limites com as crianças, extraídas de um guia da UNICEF.

Estabelecer limites é ensinar às crianças o que é certo e o que é errado, e ajudá-las a desenvolver a capacidade de se ajustar ao mundo ao seu redor.

Quando colocamos bem os limites, as crianças se sentem mais seguras, cuidadas e valorizadas.

Ainda, ao colocar limites, nós lhes damos:

  • uma estrutura compreensível que lhes permite entender o que está acontecendo ao seu redor;
  • guia e orientação para a vida, porque lhes apontamos o caminho que consideramos mais favorável para eles e elas.

Qual o objetivo em fazer isso?

Assim, estabelecer limites saudáveis tem vários objetivos:

  • Que as crianças entendam o sentido das regras e aprendam a respeitá-las porque as entendem e não por medo ou obediência cega;
  • Que as crianças desenvolvam a capacidade de controlar seus impulsos;
  • Que as crianças desenvolvam empatia com os outros;
  • Que as crianças comecem a aprender a tomar decisões e serem responsáveis pelos seus resultados;
  • Que as crianças aprendam a reconhecer as situações que são perigosas para elas;
  • Que as crianças aprendam a pensar, a desenvolver e a amadurecer sua consciência sobre o que está certo e o que está errado.

Estabelecer limites saudáveis dá trabalho porque, como qualquer processo de aprendizado, leva tempo e exige prática, paciência e firmeza.

Para estabelecer limites saudáveis devemos querer fazê-lo e saber como fazê-lo.

Estabelecer limites saudáveis só é possível quando o relacionamento é saudável, isto é: caloroso, confiável, honesto e respeitoso.

É importante frisar que é mais importante fazer do que falar, pois damos exemplo o tempo todo, sem pretender e sem perceber.

Por exemplo: será mais eficaz não criticar nosso vizinho quando ele acabou de sair de nossa casa do que dizer à nossa filha: “você tem que brincar com todos os garotos do quarteirão”.

Motivos para estabelecer limites

Além disso, estabelecer limites não quer dizer reagir ao que as crianças fazem de errado.

Também não é necessário ao determinar uma regra, mas sim convicção, pois trata-se de ensinar o que é certo.

Estabelecer limites, ainda, é ensinar a cumprir as regras de convivência.

Estabelecer limites é colocar uma demanda, é pedir à criança que faça algo que seja, provavelmente, diferente do seu impulso.

Quando dizemos que não é permitido bater no irmãozinho, mesmo que ele esteja com muita raiva, estamos confrontando-o com a tarefa difícil, mas essencial, de aprender a se controlar.

Lembre-se: não podemos pedir ou exigir algo que não seja possível ou saudável para ela.

É necessário respeitar a etapa de desenvolvimento em que se encontra.

Por exemplo: não podemos pedir a uma criança de dois anos para ficar sentada durante todo o jantar. Você poderá fazer isso enquanto cresce.

Assim, as regras propõem desafios que possam ser cumpridos com algum esforço.

Como criar as regras/limites

Elas devem ser explicadas de forma clara e simples.

As regras só funcionam:

  • Se são positivas para seu desenvolvimento e sensatas para suas possibilidades;
  • Se garantirmos que sejam cumpridas. Se a criança entende quais as consequências de cumprir e de transgredir.;
  • Exigir à criança algo que possa fazer, se esforçando um pouco, é dar a um voto de confiança em sua capacidade de superação e favorecer sua autoestima.

Além disso, é importante que:

  • As regras sejam o resultado de uma decisão ponderada, não de uma improvisação ou impulso.
  • Correspondam às razões que devem ser transmitidas, porque esses são os critérios que queremos que perdurem na cabeça do menino e da menina.

Guia para requisitar comportamentos

Quando fazemos um pedido de um determinado comportamento a uma criança, é necessário:

  1. Descrever claramente o que queremos e qual é o comportamento que desejamos;
  2. Assegurar que a criança nos ouviu e entendeu;
  3. Ser o mais breve possível;
  4. Ser coerente: se ontem não a deixamos pintar as paredes com giz, hoje também não a deixaremos, embora seja preferível que ela se entretenha para que possamos falar ao telefone;
  5. Ser muito persistente: não será suficiente dizer algo dez vezes, certamente serão necessárias mais vezes;
  6. Explicar as consequências ao cumprir e não cumprir as regras.

Fonte

E-book Crescer Juntos – UNICEF.

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