Estresse no adolescente

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Hoje, falaremos dos perigos que o estresse pode gerar no cérebro adolescente.

Se você me acompanha, sabe que ressalto que estresse crônico é prejudicial e atrapalha a saúde mental e física.

O nosso corpo vai se acostumando com a liberação contínua de cortisol – o hormônio do estresse -, que vai se tornar um veneno para ele e fragilizá-lo.

Se isso já ocorre no corpo de uma pessoa adulta, com o cérebro devidamente formado, quero que você reflita comigo o efeito do estresse no adolescente.

O seu cérebro está muito mais vulnerável porque está passando por inúmeras transformações e se moldando.

Dessa forma, é fundamental ensinar aos adolescentes como combater ou até mesmo evitar o estresse, de forma que o seu cérebro se constitua de forma saudável.

Para sabermos por onde começar, é preciso compreender primeiramente de onde provém o estresse na adolescência.

Fontes de estresse: eixos centrais do cérebro

O cérebro do adolescente, neste período, é sensível a três eixos centrais: aprovação, aceitação e rejeição.

O mundo do adolescente é voltado a esses eixos – ele procura por eles na vida real e virtual, essa última sendo parte de seu cotidiano por ter nascido numa era digital.

Se me acompanha, você também já sabe que a prioridade do cérebro é de se relacionar socialmente.

E como dito anteriormente, na adolescência, o cérebro fica mais necessitado de conexões, o que explica seus eixos centrais serem sociais.

Quando esse adolescente não sabe lidar adequadamente com os eixos, o estresse é gerado.

O estresse ocorre, por exemplo:

  • Quando ele se sente impotente;
  • Quando ele não sabe o que fazer;
  • Quando ele não tem recursos pra lidar com certas situações.

O adolescente também tem crenças irracionais que são fontes de estresse:

  • Crenças irracionais sobre si mesmo;
  • Crenças irracionais sobre sua autoestima;
  • Crenças irracionais sobre sua visão de mundo;
  • Crenças irracionais sobre sua visão do outro.

Outras fontes que podemos citar são as que vêm dos conflitos e adversidades em suas relações interpessoais.

Ainda, durante a excitação (mudança), há uma reação bioquímica, ou seja, uma resposta fisiológica.

Isso quer dizer que o corpo do adolescente se prepara para algo: diante de um estímulo, ao perceber que não tem condição de lidar com o evento, o corpo se excita e ocorre a reação.

Dessa forma, o adolescente passa a interpretar as respostas fisiológicas como negativas e indicativos de que não é capaz.

Consequentemente, ao perceber as tais respostas ocorrendo em seu organismo, ele cria essa “certeza”  de que não dará conta.

Não dando conta ele não será aprovado, não será aceito e será rejeitado e, portanto, suas fontes de estresse aumentam.

Como ajudar o adolescente a lidar com o estresse?

  • Intimidade e conexão: libera-se oxitocina, que acalma e acolhe. Promover eventos em grupo não competitivos: sessão de filme, lanches, passeios, etc. Estimular que o grupo converse sobre sentimentos.
  • Assertividade: ensinar a dizer sim quando quer dizer sim e não quando quer dizer não para evitar problemas, tais como abuso de drogas, gravidez e conflitos.
  • Tolerar emoções desconfortáveis: é preciso compreender que, na intensidade do adolescente, o mundo está acabando. Dessa forma, é necessário ensinar que toda emoção é passageira.
  • Resolução de problemas: adultos não sabem resolver problemas, só sabem ruminar. Para modificar essa realidade, devemos ao adolescente que identifique o problema, pense em possíveis soluções, tome a melhor decisão e verificar se houve a solução do problema. Se o problema não tiver sido resolvido, retorna-se a pensar em soluções. Assim, o adolescente terá recursos efetivos para diminuir o estresse na vida.
  • Levar a sério o que o adolescente diz: é importante não minimizar o seu sofrimento, porque sua intensidade é diferente e seu mundo é aquele.
  • Atividade física regular: libera-se toxinas causadas pelo estresse.
  • Atividade artística: há a promoção de recursos para nomear as emoções que o adolescente não sabe expressar e para comunicar seus sentimentos, diminuindo o estresse. Exemplos: interpretações de música, ouvir músicas, manifestar-se por meio de cartazes e pinturas.
  • Ensinar ginástica facial: quando estamos estressados e tensos, a área da testa vai se tensionando e, portanto, precisamos aprender a relaxar o rosto. Isso se faz ao tensionar e soltar. Quando modificamos nossas respostas fisiológicas, nosso estresse diminui – o corpo entende, durante o relaxamento, que não precisa mais liberar cortisol.
  • Correção de crenças irracionais: apontar o lado real da crença e demonstrar que está tudo bem se as coisas não são perfeitas – mais uma vez: a emoção é passageira.

Por que ensinar tudo isso?

Não há dúvidas de que nossos adolescentes estão muito estressados e não têm tempo pra relaxar.

Eles não aprenderam a resolver problemas, assertividade, relaxamento e a cultivar emoções positivas, que são antídotos contra o estresse.

Por conta disso, é preciso ensinar o adolescente e, ainda, a criança.

Ao ensinarmos tudo isso cedo, as habilidades cognitivas e sociais serão desenvolvidas a tempo de evitar e combater o estresse.

Ainda, o estresse baixa o sistema imunológico, o que significa que doenças oportunistas podem aparecer.

Outro motivo para trabalharmos os itens acima citados: na adolescência, se tem mais habilidades virtuais.

Na vida real, no entanto, as habilidades do mundo online não se aplicam.

Isso significa que o adolescente pode não saber como transitar pelas mais diversas situações – é aí que entramos com os ensinamentos.

Por fim, quanto mais treinamos uma habilidade, melhor ficamos nela: quanto mais o adolescente pratica os comportamentos que combatem o estresse, mais ele vai preveni-lo.

Agora que você sabe tudo isso, que tal irmos juntos promover a saúde mental dos nossos adolescentes?

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