Felicidade nas crianças

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Hoje, quero trazer uma compreensão mais profunda de como funciona a felicidade nas crianças.

Essa compreensão é possível através de apontamentos da Psicologia Positiva, a ciência do bem-estar.

Primeiro, precisamos nos perguntar: o que faz a criança se sentir feliz?

Para responder isso, eu preciso explicar como eu entendo a felicidade.

O que é a felicidade, afinal?

Gosto muito de quando a felicidade é utilizada como sinônimo do Bem-Estar Subjetivo, pois desse modo nós conseguimos reconhecer os indicativos do Bem-Estar Subjetivo.

No entanto, precisamos entender que o Bem-Estar Subjetivo é somatório do Bem-Estar Psicológico, do Bem-Estar Social e do Bem-Estar Emocional.

Quando nós conseguimos enxergar todos esses indicativos torna-se mais fácil a gente compreender a felicidade.

Indicativos do bem-estar subjetivo

Bem-Estar Psicológico

  • auto aceitação
  • autonomia
  • relações positivas com outras crianças
  • sensação de crescimento pessoal.

A criança percebe as diferenças do modo de fazer as coisas, por exemplo: antes andava de bicicleta com rodinhas e agora já consegue andar sem rodinhas; compara seus desenhos e verifica que antes desenhava torto e que agora a linha está mais reta.

Estes são alguns indicativos que mostram as conquistas e neste momento ela tem a sensação de crescimento pessoal.

Bem-Estar Social

  • aceitação social
  • verificar se a criança se sente aceita no grupo, se pertence a um grupo de amigos, se tem um melhor amiguinho, se o amiguinho chama ela para brincar ou se ela vai brincar na casa do amiguinho
  • verificar se ela consegue contribuir e interagir nas brincadeiras.

Bem-Estar Emocional 

  • se a criança sorri
  • se tem sentimentos e afetos positivos
  • se ela brinca
  • se ela gosta da vida dela.

Fica mais fácil de mensurar, por isso gosto muito quando a felicidade é utilizada como sinônimo de Bem-Estar Subjetivo.

De onde vêm os apontamentos para observarmos a felicidade nas crianças?

Cabe destacar que antes da Psicologia Positiva não se investigava muito bem a felicidade e o bem-estar das crianças.

Por exemplo: quando eu entrei na faculdade essa pergunta sempre martelou na minha cabeça (inclusive foi isso que fez com que eu buscasse esses caminhos que eu estou atualmente!).

Sempre conto a história de quando eu estava no primeiro ano da faculdade.

Estávamos aprendendo sobre o HTP e a figura humana e a professora falava dos desenhos nos quadrantes e seus significados.

Perguntei onde a criança tinha que desenhar para ser considerada saudável, para se considerar feliz, e a professora falou que não tinha um quadrante específico para isso.

A minha angústia antes de conhecer a Psicologia Positiva

Esse incômodo permaneceu durante a faculdade, a pós-graduação… eu não me conformava, pensava como é que não dá para a gente saber se a criança é saudável, feliz?  

Quando comecei a estudar a Psicologia Positiva, em 2007, foi como um bálsamo, percebi que tinha gente estudando o lado saudável e que era exatamente isso que eu queria saber desde o início da faculdade.

É isso que a Psicologia Positiva nos aponta: definir o que é felicidade e quais os indicativos para verificar a felicidade nos indivíduos.

Caso isso não esteja presente, a PP nos mostra quais são as condições para promover a prosperidade baseada nesses indicativos.

A felicidade passou a ser estudada, por isso atualmente digo para meus alunos que, se em 2016 eu estivesse na faculdade e tivesse feito a mesma pergunta para a professora, a resposta seria outra.

Inclusive, nesse ano, foi editado um artigo mostrando que é possível identificarmos por meio do DFH o bem-estar subjetivo das crianças.

Portanto, com certeza a resposta seria diferente e eu não teria ficado angustiada todo esse tempo.  

Além disso, para falar sobre onde vem a felicidade nas crianças, preciso citar as pesquisas que foram conduzidos pela Claudia Giacomoni, Luciana Souza e Cláudio Hutz.

Os autores falam sobre esses indicadores, pois pesquisaram a percepção da criança a respeito da felicidade. 

As perguntas deles para as crianças parecem, num primeiro momento, perguntas simples, mas são de uma riqueza tamanha e as respostas foram classificadas.

Assim, podemos dizer que, conforme as classificações das respostas, a felicidade na percepção das crianças está:

  • na satisfação de desejos e afetos
  • na atenção que recebem das pessoas
  • dos afetos positivos que recebem dos pais e da família
  • nos sentimentos de atitudes positivas
  • nas necessidades básicas materiais satisfeitos
  • nas amizades
  • no lazer.  

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