Fórmula do bem-estar

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Hoje, quero falar sobre a fórmula da felicidade sustentada, ou bem-estar subjetivo.

Já falamos sobre isso aqui antes, você se lembra?

A fórmula da felicidade foi publicada, originalmente, em um artigo de 2005 pela Dra. Sonja Lyubomirsky.

Nesse artigo, foi proposto o modelo de felicidade sustentável.

Além disso, o artigo deu origem a muitas pesquisas que antes não existiam.

No entanto, a própria Dra. Sonja revisitou o artigo em novembro do ano passado.

Isso quer dizer que a fórmula estava errada? Não.

Inclusive, foram propostos três novos modelos de felicidade sustentada que corroboram a primeira ideia de 2005.

Ainda, nesse artigo, Sonja reconhece as críticas que recebeu anteriormente e concorda com elas, ao mesmo tempo que explica o contexto daquilo que foi publicado.

É importante ressaltar que, antes do artigo inicial de 2005, não se tinha nada que investigava a felicidade sustentada – tudo era especulativo.

Nesse novo artigo, Sonja mostrou que as pesquisas que decorreram da primeira fórmula tinham como premissa que os indivíduos podem aumentar seu bem-estar por meio de comportamentos intencionais e manter esse aumento a longo prazo.

Artigo de 2019: nova fórmula do bem-estar

No novo artigo, Sonja descreve três modelos que são descendentes do primeiro artigo.

Todos esses modelos apoiam o quanto nossas ações impactam no bem-estar e na felicidade sustentada.

Abaixo, seguem os três novos modelos:

  1. Prevenção de adaptação hedônica
  2. Atividade eudaimônica
  3. Atividade positiva

Sonja aponta que a busca bem sucedida da felicidade requer consciência, conhecimento e aceitação intencional dos participantes.

Ainda, ela nos diz que o mais difícil é induzir as pessoas a serem felizes, pois isso requer uma mudança de pensamentos, de hábitos e de comportamentos, o que exige esforço.

Dessa forma, a atividade proposta precisa fazer sentido para a pessoa.

Por exemplo: uma pessoa extrovertida terá mais facilidade ao realizar atividades de conexão do que uma pessoa introvertida.

Assim, é necessário personalizar a atividade de acordo com o nosso paciente.

O que as pessoas fazem para sustentar o bem-estar?

É possível sustentar a felicidade a partir de um fluxo constante de experiências positivas – de interesse, de inspiração, conexão e experiências que nos elevam.

Mas e como podemos fazer isso?

Por meio de momentos satisfatórios, que são a nossa própria recompensa.

Além disso, é possível salpicar o dia com momentos felizes de compartilhamento de emoções.

O engajamento com metas e comportamentos eudaimônicos (forças em ação) ajudam a promover esse crescimento e a satisfazer necessidades psicológicas básicas.

Modelo de atividade eudaimônica

O objetivo mais amplo desse modelo é resolver as ambiguidades sobre as definições do bem-estar.

Não basta dizer que o bem-estar eudaimônico existe, é necessário explicar como ele acontece.

Perseguir objetivos e atividades classificados como eudaimônicos (virtuoso, expansivo, conectivo, integrativo) tendem a trazer mais bem-estar.

Assim, como efeito colateral, quando criamos atividades assim, vivenciamos o bem-estar.

Metas e atividades são bem-sucedidas porque aumentam o nível de competência, autonomia e relacionamentos das pessoas (componentes do bem-estar).

As fontes de satisfação continuam elevadas, pois entramos numa espiral ascendente.

Dessa forma, esse modelo consiste entre fazer bem e o sentir-se bem.

Modelo de prevenção à adaptação hedônica

Já falamos sobre a adaptação hedônica aqui também.

Uma breve contextualização é: a adaptação hedônica ocorre quando nos acostumamos com tudo aquilo que é bom.

Assim, esse modelo aponta que podemos ter uma mudança positiva e, para manter essa felicidade, podemos aumentar o montante das emoções positivas em relação a essa mudança.

Vamos pensar em um exemplo: Maria mudou-se de apartamento.

Como ela pode aumentar a felicidade para não cair na adaptação hedônica?

Fazendo jantares com amigos e familiares, contando sua novidade para mais pessoais, desfrutando dessa nova casa em seu tempo livre…

Ou seja: Maria permanecerá saboreando e agradecendo seu novo apartamento, o que ajudará no aumento e sustentação do bem-estar.

Outra forma de prevenir a adaptação hedônica

A adaptação hedônica não é inevitável.

Dessa forma, como sabemos que ela vai acontecer, podemos prevenir.

Uma outra maneira de preveni-la é através da diminuição das aspirações.

É possível diminuir as aspirações aumentando a gratidão.

Mas atenção: gratidão não é um pensamento como “eu mereço um apartamento maior, um emprego melhor porque tal pessoa tem x, então eu posso ter y…”

Diminuímos as aspirações quando ensinamos a saborear e ter emoções positivas que envolvam aquela mudança.

Tais emoções positivas vão se acumulando e sustentando o bem-estar, o que impede a adaptação.

Também é importante evitar as provocações vindas da mídia: precisamos distinguir necessidade de desejo.

Por exemplo: você está com sede e pensa em uma Coca-Cola gelada.

A sua necessidade é de beber água, mas a Coca-Cola é o seu desejo.

Quanto mais você foca no desejo, mais insatisfeito fica, pois você pode beber a Coca-Cola, mas sua sede permanece.

Nossas verdadeiras necessidades são de autoaprimoramento, conexão, pertencimento e autonomia.

Modelo de atividade positiva

O terceiro modelo identifica os mecanismos e potenciais pelos quais as atividades positivas particulares proporcionam bem-estar.

Como falamos anteriormente, para algumas pessoas mais extrovertidas, atividades de conexão funcionam melhor do que para os mais introvertidos.

As práticas positivas devem ser personalizadas, porque aumentam as emoções positivas, os pensamentos positivos e os comportamentos positivos.

Mas atenção: tem que fazer sentido para a pessoa, ou seja, a atividade precisa ser inerente dela.

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