Habilidades para a vida, parte 2

Tempo de leitura: 4 minutos

Na publicação da semana passada, falamos um pouco sobre as habilidades internas necessárias para transitarmos de modo saudável pela vida.

Se você perdeu a publicação, é essencial que você a confira antes de ler esta. Clique aqui para lê-la.

Como dito anteriormente, essa publicação é baseada em um texto do Center on the Developing Child, da Universidade de Harvard.

Na postagem anterior, falamos sobre quais são essas habilidades para a vida e os benefícios de desenvolvê-las ainda na infância.

Hoje, falaremos sobre como o estresse pode afetá-las e sobre dicas para trabalhá-las em escolas, consultórios, instituições ou comunidade.

O poder de influência do estresse

Às vezes, algum estresse pode ser positivo.

No entanto, estresse crônico e extremo pode desencadear uma série de problemas:

  • problemas de saúde;
  • problemas comportamentais;
  • problemas na capacidade de utilizarmos nossas habilidades internas.

Isso se dá porque o estresse e a adversidade desencadeiam a regulação automática do cérebro.

Essa regulação automática se trata do reflexo imediato de lutar ou fugir, que nos obriga a agir primeiro e pensar depois.

Quando essa resposta é ativada frequentemente pelo estresse, pode ocorrer uma sobrecarga no nosso cérebro.

Assim, a capacidade do cérebro de produzir respostas intencionais e pensadas sofre danos.

Se essa sobrecarga ocorre na infância, o cérebro super desenvolve a capacidade de perceber e responder rapidamente à ameaças.

Outros fatores de estresse

É por esta razão que, ao vivenciar situações de adversidade – violência, doença, desemprego, desabrigo, vício ou abuso – os adultos precisam se esforçar mais para monitorar seus problemas, encontrar soluções para lidar com eles e seguir um passo a passo adequado.

É também por isso que, apesar das nossas melhores intenções como profissionais da saúde, educação e serviços sociais, nossos programas e serviços, que têm consultas múltiplas e são repletos de formulários em ambientes caóticos, podem sabotar as habilidades internas dos adultos.

Esses programas e serviços que realizamos com o intuito de promover saúde mental não podem ser fatores que causam estresse.

Longe disso, devem funcionar como um fator de proteção e como um fortalecedor para as habilidades.

Como promover programas/serviços que reduzem o estresse e fortalecem as habilidades?

A seguir, quero compartilhar algumas dicas para que nossa boa intenção e nosso trabalho não acabem sendo prejudiciais.

Auxilie a atender as necessidades básicas

É fundamental que as necessidades básicas de quem recebe nossos atendimentos sejam atendidas.

Esses fatores de estresse (necessidades não atendidas) podem ser: transporte, alimentação e fraldas.

Pense comigo: uma mãe que não tem fraldas para trocar seu bebê não irá focar em sua saúde mental.

Esse trabalho permite que o adulto sob atendimento possa mudar seu foco da sobrevivência para programas de longo prazo, tais como educação e definição de objetivos.

Se você não é capaz de auxiliar, encaminhe o adulto para órgãos ou instituições competentes.

Agilize e simplifique

Agilize processos e formulários entre agências ou instituições (caso acima).

Ainda, disponibilize materiais acessíveis nos mais diferentes formatos: impressos, online, vídeos, etc. É importante utilizar uma linguagem clara e simplificando tarefas em pequenos passos.

Essa prática faz com que os serviços promovidos não se tornem outra fonte de estresse, o que pode causar a desistência na busca por auxílio.

Seja um guia, não um chefe

Utilize seus conhecimentos a respeito do estresse para abordar adultos de forma respeitosa, ouvindo-os atentamente e trabalhando a partir de algo positivo que já pratiquem.

Trabalhe de forma consistente para que a pessoa saiba o que aguardar.

Essa técnica reduz o estresse, além de diminuir a imagem de ameaça perante interações. Além disso, o feedback positivo também auxilia os indivíduos a se abrirem para novas oportunidades.

Utilize ferramentas acessíveis e familiares

Pergunte ao adulto o que o ajuda a se organizar.

Checklists, aplicativos e outras ferramentas podem ser de grande auxílio para gerenciar as demandas da vida e dividir tarefas em pequenos passos.

Ainda, envie mensagens de texto com lembretes de novos atendimentos e de tarefas.

Essa prática permite que o poder de resolver tarefas “volte” às mãos da pessoa, além de proporcionar ferramentas nas quais elas sabem que podem confiar.

Finalizo ressaltando a importância de construirmos essas habilidades ainda na infância e, se necessário, reforçá-las constantemente na vida adulta.

Dessa forma, viveremos em uma sociedade com mais bem-estar e saúde mental.


Você pratica algum desses métodos? Como você ajuda os adultos a fortalecerem suas habilidades para a vida?

Me conte nos comentários.

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