Habilidades para o bem-estar

Tempo de leitura: 5 minutos

Vamos falar um pouco sobre habilidades para o bem-estar?

Primeiramente, precisamos compreender o que são essas habilidades e por que tanto falamos delas.

Preciso dizer que tudo isso vem da Psicologia Positiva.

Para quem ainda não a conhece, farei uma breve contextualização.

A Psicologia Positiva é um movimento científico que se configura com a intenção de promover estudo científico daquilo que torna a feliz, digna de ser vivida.

Assim, o movimento utiliza metodologias científicas para compreender os aspectos saudáveis dos seres humanos, nos apontando como promover e sustentar uma vida com bem-estar através de habilidades.

Dessa forma, à medida que o indivíduo incorpora em sua vida essas habilidades, ele:

  • tem uma vida mais satisfatória
  • vivencia estados psicológicos mais positivos
  • vivencia uma autoaceitação
  • vivencia um bem-estar social, psicológico e emocional.
  • têm maiores chances de promover e ter boa saúde

Quais são essas habilidades para o bem-estar?

Primeiro, preciso dizer que essas habilidades são chamadas assim porque não são inatas; são comportamentos que podem ser aprendidos.

Eu gosto de comparar essas habilidades a aprender um novo idioma.

Pense comigo: falar um novo idioma é uma habilidade que nos permite novas coisas, tais como viajar, conversar com outras pessoas, ler artigos em outras línguas.

Assim, é algo que precisamos nos esforçar para aprender.

Não fazemos só uma aula de inglês, fazemos vários… um, cinco, dez anos de aulas; continuamos aprendendo e praticando para nos aprimorarmos.

O mesmo é com as habilidades para o bem-estar; uma tentativa somente é muito pouco.

Dessa maneira, quando pensamos em habilidades, precisamos pensar em algo que vai ser aprendido mas precisa ser repetido para ser incorporado.

Ainda, graças à Psicologia Positiva, nós podemos identificar quais são essas habilidades não através de achismo, mas sim de pesquisa científica.

Quais são essas classes de habilidades?

Bondade, altruísmo e gentileza

Pessoas felizes são as primeiras a darem a mão; são solícitas.

Uma das apresentações que vi em 2019, no Congresso Mundial de Psicologia Positiva, foi de uma pesquisadora que fez uma pesquisa sobre atos de gentileza.

Nessa pesquisa, um grupo foi orientado a realizar atos de gentileza uma vez por semana; outro, duas vezes por semana; o último grupo foi orientado a fazer atos de gentileza diariamente.

Ao fim da pesquisa, o grupo que relatou maior bem-estar foi o grupo que mais realizou atos de gentileza.

As pessoas que praticam a bondade e altruísmo vivenciam mais emoções positivas porque se conectam à nossa humanidade.

Compaixão

A compaixão é a intenção de aliviar o sofrimento do outro.

Primeiramente, precisamos ter em mente que nem todos os sofrimentos são iguais, mas todos são dignos de compaixão.

Além disso, isso inclui a nós mesmos; nós também precisamos aprender a aliviar nosso sofrimento.

A compaixão pode ser cultivada ao dedicar parte do dia a fazer meditações de compaixão.

Nessas meditações, canalizamos a atenção para que determinada pessoa se livre do sofrimento.

Ainda, a compaixão protege contra a fadiga empática.

Para nós, profissionais que trabalham com outros seres humanos, o treinamento de compaixão deveria ser obrigatório.

Atenção plena

Cultivar estados mentais positivos; estar presente no momento presente.

Cultivo de emoções positivas

Quando falamos em emoções positivas, as pessoas têm a impressão de que a Psicologia Positiva fala só da alegria.

Pelo contrário: a alegria é apenas uma das emoções positivas.

Podemos aprender e treinar formas de vivenciar essas emoções positivas.

Alegria, diversão, serenidade, interesse, gratidão, orgulho, admiração, inspiração, esperança e amor são alguns exemplos de emoções positivas que podemos aprender a cultivar no dia a dia.

Reflita: quais atividades fazem você sentir serenidade? Quais atividades fazem você sentir interesse?

Apoio social

Aqui estamos falando de amizade e do cultivo de bons relacionamentos, isto é: saber fazer e manter amigos.

No apoio social, conseguimos vivenciar todas as habilidades anteriores: bondade, compaixão, práticas de atenção plena e emoções positivas.

Prática da gratidão

A gratidão é muito estudada em Psicologia Positiva, como já falamos aqui.

Essa emoção positiva está diretamente ligada ao bem-estar.

Costumo brincar que a gratidão e o bem-estar são como o ovo e a galinha, não podemos saber quem veio primeiro.

Pessoas que conseguem agradecer e cultivar a gratidão têm o bem-estar impactado.

Dessa forma, precisamos aprender a gratidão e enxergar o que deu certo no dia.

Uso das Forças Pessoais

As Forças Pessoais são a espinha dorsal da Psicologia Positiva.

São aspectos psicológicos positivos, qualidades, pontos fortes.

A Psicologia Positiva mapeou esses pontos fortes e os descreveu em 24 Forças Pessoais.

Assim, nós podemos identificar esses pontos em nós mesmos; temos cerca de 6 a 7 pontos fortes que são naturais.

Essas Forças se manifestam naturalmente, mas isso não significa que não possamos desenvolver as outras.

Por isso, precisamos utilizar os pontos fortes no dia a dia: criar projetos pessoais que girem em torno das nossas Forças Pessoais, pensar em formas de se vivenciar esses pontos fortes no dia a dia.

Conclusão

Essas são habilidades para o bem-estar porque nos fazem entrar numa espiral ascendente; somos puxados para cima.

Quando vivenciamos uma habilidade para o bem-estar, vivenciamos emoções positivas.

Dessa forma, as emoções positivas ampliam o repertório de ação e pensamento: pensamos melhor e nos relacionamentos melhor.

Ainda, essa ampliação constrói recursos que ficam com nós; esse aprendizado transforma as pessoas que estão ao nosso redor e nos transformam, gerando mais espiral ascendente.

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