A experiência modifica o cérebro

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Neuroplasticidade: a experiência modifica o cérebro

Entendendo a neuroplasticidade no cérebro

Neuroplasticidade é um conceito descrito pelas neurociências para explicar que o nosso cérebro tem a capacidade de modificar-se constantemente.

Através da neuroplasticidade, podemos utilizar o cérebro a nosso favor! Vamos entender um pouco mais sobre isso falando sobre a atividade que acontece dentro do nosso cérebro.

Nossos neurônios, que são células nervosas, se comunicam através de impulsos elétricos – as sinapses. Essa comunicação através de sinapses forma um caminho: uma rede neural. Quando realizamos frequentemente as mesmas atividades, esse caminho se torna viciado, e por isso só “andamos” por ele.

Nosso cérebro é um órgão muito sedento por conhecimento, e, por conta disso, consegue se adaptar conforme o ambiente. A cada nova atividade, o cérebro cria um novo caminho e o aperfeiçoa conforme as repetições, além de modificar a rede neural já existente, aqueles caminhos viciados que falamos anteriormente.

Assim sendo, a neuroplasticidade é a habilidade do cérebro de fazer novas conexões neurais, descobrindo novos caminhos. É por isso que é tão importante estimular o cérebro a aprender cada vez mais, pois ao estimulá-lo, também estamos estimulando a neuroplasticidade.

Estruturas cerebrais importantes para a neuroplasticidade

A seguir, quero abordar três estruturas do cérebro que são influenciadas pela neuroplasticidade. Confira-as abaixo:

  1. Lobos frontais – Têm importante função no controle das emoções. São responsáveis pelos centros executivos e pelas funções mais nobres, tais como pensamento, julgamento, levantamento de hipótese e seleção de comportamento adequado. Além disso, são sedes da cognição, linguagem e escrita.
  2. Amígdala – Essa parte do nosso cérebro é decisiva se tratando de certas emoções negativas, tais como medo, raiva e angústia.
  3. Hipocampo – Responsável pela memória de curto e longo prazo. Suas principais funções são memória e reconhecimento de contexto (por conta dessa função, seu papel no aprendizado é fundamental). Pesquisas apontam que seu tamanho é reduzido em indivíduos com depressão e estresse pós-traumático.

Essas áreas são bastante influenciadas pela neuroplasticidade porque são atingidas pelas experiências repetidas e pelo ambiente emocional no qual o indivíduo cresce.

A respeito disso, estudos apontam que crianças em idade pré-escolar criadas em ambientes de incentivo e carinho são capazes de controlar melhor suas emoções, enquanto crianças criadas em ambientes estressantes e instáveis têm o hipocampo 15% menor do que as criadas em ambientes estáveis.

Além do mais, um estudo realizado por Luby e colaboradores em 2012 nos informa que o apoio materno recebido na primeira infância prediz um volume maior no hipocampo da criança em idade escolar.

Implicações de um hipocampo menor

Como mencionado acima, crianças em ambientes desgastantes e pessoas que sofrem de depressão ou de estresse pós-traumático podem ter um hipocampo de tamanho reduzido.

A diminuição do hipocampo pode afetar diversas partes da vida do indivíduo. A pessoa passa a ser mais reativa, impulsiva e ansiosa, além de ter mais dificuldade na aprendizagem.

Lembre-se da função do hipocampo, descrita um pouco acima: contextualização de ambiente e memória. Com o hipocampo atrofiado, o cérebro não consegue reter a informação e analisar o ambiente no qual se encontra, que é a escola. Assim, o ato de aprender se torna muito mais difícil.

Um exemplo que demonstra bem esse problema é o de uma criança criada em ambiente violento. Para ela, qualquer evento é uma ameaça que a fará reagir de maneira exagerada. O simples olhar de um colega pode desencadear uma reação gigantesca.

O nosso papel como profissionais da saúde e educação, portanto, é de oferecer ambientes seguros, acolhedores e estimulantes. Dessa forma, agimos para o desenvolvimento saudável de nossas crianças.

Razões para ensinar a educação emocional desde cedo

Ensinar às crianças a educação emocional nos permite aproveitar as janelas de oportunidade, que são períodos sensíveis no desenvolvimento do cérebro. Nesses períodos, a experiência é duradoura na construção das conexões neurais, porque as habilidades aprendidas podem alcançar sua potencialidade, tornando o aprendizado fixo.

Você percebe como a neuroplasticidade nos ajuda? Esse é um exemplo de como ela desempenha um ótimo papel, transformando o cérebro a nosso favor.

Quero finalizar com uma analogia perfeita feita pelo Doutor Sam Wang, neurocientista:

Você pode mudar a planta baixa da sua casa depois que ela estiver concluída, mas é muito mais fácil modificá-la durante a construção. Retreinar o cérebro na maturidade é possível em alguns casos, mas é um processo lento e difícil – e nem poderia ser diferente. A plasticidade neural tem custos e benefícios. O mais importante nisso tudo talvez seja que, se a experiência rotineira pudesse mudar facilmente seu cérebro, você correria o risco de perder muitas coisas conquistadas a duras penas: conhecimento, habilidades e lembranças adquiridas em fases anteriores da vida.

Aamodt & Wang, Bem-vindo ao cérebro do seu filho, 2013, p. 80

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