O que sabemos sobre a emoção?

Tempo de leitura: 7 minutos

Primeiramente, reforço que não existe uma emoção “errada”.

Todos nós sentimos emoções positivas ou desconfortáveis.

O erro está no comportamento que temos diante dessa emoção.

Hoje, no entanto, focaremos mais nas emoções positivas.

Estudos de Barbara Fredrickson

A doutora Barbara, referência mundial no estudo das emoções positivas, nos aponta com suas pesquisas que as emoções positivas:

Ampliam nossos recursos cognitivos, físicos e sociais

No âmbito cognitivo, conseguimos pensar melhor, ampliamos nossas ideias e conseguimos pensar em perspectiva

Já no quesito físico, nossa saúde melhora, pois diminuem os processos inflamatórios.

Por fim, no contexto social, sabemos que é muito mais agradável estar perto de pessoas positivas que nos provocam emoções positivas. 

Nos auxiliam a ter recursos diante de situações e emoções perturbadoras

Isso porque ampliam e constroem os nossos recursos cognitivos, físicos e sociais.

Despertam a afetividade do outro

Vide a ampliação dos recursos sociais.

Promovem a resiliência

As emoções positivas funcionam como um “amortecedor” para as emoções desconfortáveis, por isso nos recuperamos com mais facilidade.

Atividade de reflexão

Responda a si mesmo: O que é necessário acontecer no seu dia para que você o considere bom? Cite ao menos três fatores. 

Anote num cantinho da sua cabeça o que você descreveu para o seu dia ter sido considerado bom, pois já retornaremos a esse assunto.

Na Psicologia, temos um termo que chama-se lócus de controle.

Esse lócus de controle pode referir-se a controle interno ou externo. 

Agora, voltando às suas respostas: quais fatores você responde na atividade?

Vou exemplificar algumas respostas: “Preciso acordar com cheiro de café” ou “Preciso acordar com o sol raiando no sol”.

A primeira resposta trata-se de lócus de controle interno – conseguimos controlar programando a cafeteira, por exemplo.

Enquanto isso, a segunda resposta refere-se a lócus de controle externo – não temos o poder de controlar o tempo.

Ter essa consciência de lócus de controle é fundamental para que possamos focar mais no interno.

Dessa forma, somos capazes de promover esses fatores, já que são os únicos sob nosso controle.

Somos capazes de escolher sentir determinada emoção, tal como animação ao acordar com o cheirinho de café.

Positividade: a descrição da emoção positiva

A Positividade é um termo criado por Barbara Fredrickson para descrever as emoções positivas, ou seja, é o caminho que utilizamos para construir a felicidade.

Lembrando sempre que, para a Psicologia Positiva, a felicidade não é um lugar – é o caminho trilhado.

Utilizamos da Positividade para fazer com que essa trilha seja construída. 

Outro fator muito importante a respeito das emoções positivas é o que chamamos de tendência específica à ação de cada emoção.

Isso quer dizer que nosso corpo se prepara, involuntariamente, para uma ação diante de determinada emoção.

  • Medo: corpo se prepara para fugir;
  • Raiva: corpo se prepara para atacar;
  • Nojo: corpo se prepara para expelir;
  • Alegria: corpo se prepara para fazer alguma coisa, surge vontade;
  • Amor: corpo se prepara para conectar-se.

Reforçando: essas são respostas fisiológicas que o corpo nos dá INVOLUNTARIAMENTE diante de uma emoção.

E quanto à tendência específica à ação de uma emoção positiva?

De acordo com Fredrickson, a tendência específica à ação da emoção positiva é construir e ampliar nossos repertórios, pois ampliam as nossas ideias, nos fazem pensar melhor e abrem nossa consciência para novas ideias. 

Verifique, abaixo, algumas emoções positivas e suas respectivas tendências específicas.

  • Alegria: nos faz ter vontade de querer fazer alguma coisa;
  • Gratidão: nos faz querer retribuir aquilo que consideramos um presente;
  • Serenidade: nos faz ter vontade de estar integrados com o todo;
  • interesse: nos faz querer saber mais sobre determinado assunto;
  • Esperança: nos torna criativos para realizar uma mudança. Aparece quando as coisas não vão bem;
  • Orgulho: nos faz querer fazer algo bem;
  • Civersão: nos prepara para compartilhar o riso com alguém;
  • Inspiração: nos dá vontade de construir algo excelente, algo bom;
  • Admiração: nos permite observar e aprender com o novo, além de incorporá-lo em nossas vidas;
  • Amor: nos prepara para nos conectarmos com alguém. São micromomentos nos quais compartilhamos conexão e emoções positivas com outro ser vivo.

As emoções “negativas” nos causam estreitamento mental, pois só pensamos de determinada maneira; só focamos naquilo.

Imagine, por exemplo, que você esteja assistindo a um filme ou lendo um livro.

De repente, aparece um crocodilo à sua frente.

Você vai continuar focando sua atenção no que estava fazendo ou ficar pensando no crocodilo por conta do medo?

Utilizei esse exemplo bem exagerado para que você compreenda melhor que, para pensar melhor, precisamos estar em um estado de emoção positiva.

Pesquisa com macacos vermelhos – reflexão

As emoções positivas nos auxiliam a construir; o que aprendemos a respeito das experiências alegres é que a necessidade de brincar constrói habilidades que em tempos difíceis, podem fazer a diferença entre a vida e a morte.

Barbara Fredrickson

Em uma pesquisa realizada com macacos vermelhos, constatou-se que, os macaquinhos, quando crianças, brincam de pega pega.

Observou-se que esses filhotes que brincaram quando jovens utilizavam daquelas cambalhotas e pulos que aprenderam na brincadeiras para fugir dos predadores.

Observou-se também que aqueles macaquinhos que não brincaram tornaram-se presas fáceis.

Com as crianças ocorre o mesmo.

É por meio da brincadeira que a criança desenvolve as habilidades fundamentais para a vida adulta: conhece limites, resolução de problemas e cooperação.

Esses são recursos que utilizarão na vida adulta e que são de grande valor para as funções executivas.

O que é a emoção do amor?

Começo apresentando a visão biológica de Humberto Maturana, que diz que:

O amor é a emoção fundamental que tornou possível a nossa história de humanização. O amor é uma disponibilidade para a cooperação. 

Humberto Maturana, neurobiólogo

Já para Hegi e Bergner, “o amor é um investimento no bem-estar do outro, porque o bem-estar do outro é o meu bem-estar”. 

O que significa trabalhar com amor?

Ouvimos muito essa expressão: “trabalhe com amor”, “faça o que você faz com amor”.

Mas o que ela significa?

Trabalhar com amor é estar disponível para o bem-estar do outro, compartilhar emoções positivas e estar disponível para conectar-se. 

Do ponto de vista evolutivo, sobrevivemos porque as emoções “negativas” nos auxiliaram na sobrevivência.

Nossos ancestrais, que tinham medo de mamutes, saíam correndo e, por isso, estamos vivos hoje.

Estamos enfrentando níveis de estresse tão altos que só eram vivenciados por nossos antepassados quando caçavam ou fugiam de mamutes. 

Assim, com o estilo de vida que temos hoje, sobreviverá aquele que cultivar mais emoções positivas.

As emoções positivas são fundamentais para a sobrevivência da espécie: nos fazem ficar mais adaptativos, nos tornam resilientes, nos fornecem mais recursos e nos fazem pensar e nos organizar melhor.

A receita da positividade

Barbara Fredrickson também nos presenteia com a “receita da positividade”.

Essa receita trata-se da proporção 3 pra 1.

Essa proporção indica que, para cada experiência emocional negativa que vivenciamos, devemos vivenciar três experiências positivas.

Essa é uma maneira de neutralizar o negativo e aceitar a humanidade da vida, porque viver de positividade, ou seja, somente de emoções positivas, é humanamente impossível. 

Toda emoção faz parte da vida e, quando aceitamos isso, conseguimos viver de modo mais feliz.

Isso porque aceitamos que vamos sentir emoções desconfortáveis, mas compreendemos que podemos vivenciar emoções positivas intencionalmente.

No entanto, não significa que estamos ignorando as emoções desconfortáveis.

Novamente, trata-se de aceitá-las e ter o poder de construir a felicidade por vivenciar toda e qualquer emoção, seja ela positiva ou negativa.

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