Otimismo aprendido e disposicional

Tempo de leitura: 5 minutos

No post de hoje quero falar de um dos meus temas preferidos: o otimismo!
Quero explicar um pouco sobre os benefícios de ser otimista e sobre duas teorias da Psicologia Positiva: a teoria do otimismo aprendido e a do otimismo disposicional.
Primeiramente, vamos ao básico.

O que é o otimismo?

Diferente do que muitas pessoas pensam, ser otimista não é negar a sua realidade. Otimismo não é ser ingênuo ou viver num mundo de fantasias. A pessoa otimista enxerga, sim, sua realidade. E vai além: busca alternativas para sair de uma situação desconfortável.
O otimismo está diretamente ligado ao modo de pensar e ao comportamento da pessoa perante eventos ruins. Diante de adversidades, o otimista não se entrega. Ele tende a agir para transpor o obstáculo, porque acredita que é capaz e porque tem tolerância para aguentar o processo, por mais lento que seja.
É por isso que o otimismo está diretamente ligado à autoestima, à resiliência e ao bem-estar emocional.
Além disso, o otimista é mais resistente em relação à frustrações, justamente porque confia no seu potencial e não desiste. No entanto, isso não significa que não vivencie sentimentos desconfortáveis – ele só é mais resistente a eles.

O copo

Um exemplo clássico é o do copo preenchido até a metade com água. É costume ouvir que se você enxerga o copo meio cheio, você é otimista, e se enxerga ele meio vazio, pessimista, mas o otimismo vai muito além disso – o otimismo ajuda você a enxergar se a água do copo irá matar sua sede e a perceber que pode buscar mais água, se necessário.

Otimismo aprendido

A teoria do otimismo aprendido, apresentada por Martin Seligman, tem a ver com nossas autoexplicações na ocorrência de um evento. Essa explicação nos diz se somos otimistas ou pessimistas. Eu já falei um pouco sobre essa teoria e a do desamparo aprendido aqui, se você quiser relembrar melhor.
Indivíduos que têm estilos explicativos com explicações permanentes, abrangentes e personalizadas para situações ruins são considerados pessimistas, enquanto quem tem estilos explicativos com explicações específicas, passageiras e externas é considerado otimista.
Perceba a diferença em uma situação na qual a pessoa tirou nota 2:

  • O pessimista – autoexplicação “sou burro”
      1) Permanente: “sou”;
      2) Abrangente: essa explicação se aplica à toda sua vida;
      3) Personalizada: acredita que a culpa da nota é somente sua.
  • O otimista – autoexplicação “não estudei”
      1) Específica: o desempenho ruim foi somente naquela prova;
      2) Passageira: não estudou nessa prova, mas estudará na próxima;
      3) Externa: análise de contexto – tinha outras matérias de maior prioridade e, por isso, estudou menos essa.

É importante notar que em ambos os estilos explicativos não há negação da realidade. Outro fato importante a ser destacado é que pensar que “pelo menos não tirei 0” não é ser otimista.
É fundamental aprender o estilo explicativo otimista, já que o estilo pessimista pode levar à depressão.

Otimismo disposicional

Enquanto a teoria do otimismo aprendido se refere a eventos já ocorridos, a teoria do otimismo disposicional, descrita por Michael Scheier e Charles Carver, se relaciona com eventos que ainda não aconteceram, ou seja, com o futuro.
Através do otimismo disposicional, é possível criar expectativas para o futuro. Essas expectativas são associadas ao meu comportamento em direção à minha meta e se atingirei o sucesso.
Dois elementos muito importantes nessa teoria são as expectativas positivas e o senso de confiança.
Também nessa teoria não há negação de realidade. O acontecimento negativo não deixa de ser uma possibilidade.

O que o otimismo faz por você

Além de estar extremamente conectado à uma autoestima elevada, à resiliência e ao bem-estar emocional, o otimismo também proporciona emoções positivas, já que a pessoa vivencia experiências de sucesso, porque sempre age.
Não menos importante, o otimismo é um grande fator de proteção porque nos mostra que o problema é temporário e que há saída. É também por isso que, em termos de emoção, ele é a esperança.

Como ensinar a ser otimista

É possível trabalhar com as duas teorias.
Para os eventos passados, devemos ensinar a correção do estilo explicativo pessimista para o otimista diante de situações ruins. Diante de eventos futuros, devemos incentivar as ideias de confiança, expectativas positivas e reforçar as capacidades do indivíduo para que ele, no futuro, aja de forma a concretizar seus objetivos.
O assunto do otimismo não precisa se restringir ao consultório. Os professores também podem trabalhar nas mais diversas matérias, seja usando a atividade abaixo ou através de novas ideias, basta adaptar às suas aulas.
Inclusive, outra ideia é analisar discursos de pessoas famosas como políticos, atletas, atores, empresários e etc para que seus discursos sejam analisados e corrigidos.

Atividade

Uma atividade que adoro fazer é verificar o otimismo e pessimismo dos meus alunos. Faço dois exercícios: no primeiro, verifico suas autoexplicações para acontecimentos ruins e ensino-os a transformá-las em passageiras, específicas e externas.
Em seguida, divido a sala em trios e coloco umas perguntinhas no quadro para que eles respondam. As perguntas ficam a critério do professor. Normalmente, costumo fazer algo parecido com “Como você se vê num futuro próximo?” ou “Como você vê nosso país daqui 2 anos?”.
Geralmente são três perguntas para que cada aluno tenha o seu papel: um fala, um ouve, um anota.
Essa dinâmica é super importante porque assim eles trocam ideias sobre otimismo, se corrigem e aprendem entre eles.

Por fim, ressalto o quanto o otimismo nos protege e, acima de tudo, faz bem.

Fonte

BASTIANELLO, Micheline Roat e HUTZ, Claudio Simon. Do Otimismo Explicativo ao Disposicional: a Perspectiva da Psicologia Positiva.

1 comentário


  1. Estou visitando o site, pois realizei a minha inscrição para o Curso.
    Estou adorando visualizá-lo e lê-lo.
    Creio ser de grande valia para todos nós: pais, educadores, especialistas na área da saúde.
    Atualmente, temos que parar respirar fundo e ter empatia pelo ser humano, que nos cerca.
    Precisamos saber ouvir, ser otimista e ter uma Educação Emocional Positiva para enfrentarmos os desafios pelos quais teremos de passar.
    Entretanto, além de aprender a ser melhor necessitamos cooperar e disseminar os nossos conhecimentos. Parabéns Psicóloga Miriam pela sua iniciativa de ajudar. Sucesso sempre!!

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