Prevalência de transtornos

Tempo de leitura: 4 minutos

Hoje, quero trazer algumas informações de uma cartilha da Organização Mundial da Saúde a respeito da estimativa da prevalência de transtornos depressivos e de outros transtornos mentais comuns no mundo.

Falaremos, também, sobre as consequências desses transtornos em termos de perda de saúde e anos vividos com incapacidade (YLD).

Primeiramente, quero definir alguns termos que serão abordados ao longo do texto.

Definições de termos

YLD (Years lived with disability)

YLD é uma abreviatura de anos vividos com incapacidade, que também pode ser descrito como anos vividos com uma saúde menos do que a ideal.

Isso inclui condições como a gripe, que podem durar apenas alguns dias, ou epilepsia, que podem durar uma vida.

Ele é medido tomando a prevalência da condição multiplicado pelo peso deficiência para essa condição.

Pesos de deficiência refletem a gravidade das condições diferentes e são desenvolvidos através de inquéritos da população em geral.

Transtornos mentais comuns

Dentro desta cartilha, a OMS adotou o termo “transtornos mentais comuns” para referir-se a transtornos depressivos e transtornos de ansiedade.

Eles levam a perdas consideráveis em saúde e funcionamento da pessoa.

Essas perdas são contabilizadas multiplicando a prevalência dos transtornos pelo nível médio de incapacidade, de forma a estimar o YLD.

De onde vieram essas informações?

Os dados que apresentarei a seguir foram coletados pela Organização Mundial da Saúde em conjunto com os pesquisadores de transtornos mentais e comportamentais do projeto Global Burden Of Disease, realizado na Universidade de Queensland (AUS), em 2015.

Transtornos depressivos

Primeiramente, quero abordar os transtornos depressivos.

Eles são caracterizados por tristeza, perda de interesse, sentimento de culpa ou baixa autoestima, distúrbios do sono e do apetite, sentimento de cansaço e baixa concentração.

Podem ser recorrentes ou de longa duração, impactando a capacidade do indivíduo funcionar na escola, trabalho e na vida em si.

Ainda, em casos mais severos, podem levar ao suicídio.

Incluem duas subcategorias:

  • Transtorno depressivo maior, que envolve sintomas como humor deprimido, perda de interesse e prazer e baixa energia. Além disso, dependendo do número e intensidade dos sintomas, pode ser categorizado em leve, moderado ou severo.
  • b) Distimia, forma persistente ou crônica de depressão leve. Os sintomas são semelhantes ao transtorno depressivo maior, mas menos intensos e mais prolongados.

Estimativas globais da prevalência de transtornos depressivos

Em 2015, a população estimada com transtornos depressivos era de 4.4%, representando 322 milhões de pessoas, além de ser mais comum em mulheres (5.1%) do que homens (3.6%).

A depressão pode ocorrer na infância e adolescência (antes dos 15 anos) mais moderadamente.

Ainda, os mais atingidos pela depressão estão entre a faixa etária de 55 a 74 anos.

Além disso, levam a mais de 50 milhões de YLDs.

Prevalência de transtornos depressivos por região

  1. África: 9%;
  2. Mediterrãneo Oriental: 16%;
  3. Europa: 12%;
  4. Américas: 15%;
  5. Sudeste da Ásia: 27%;
  6. Pacífico Ocidental: 21%.

Transtornos de ansiedade

Em segundo lugar, vamos falar de transtornos de ansiedade.

Referem-se a um grupo de transtornos mentais caracterizados pelo sentimento de ansiedade e medo.

Incluem-se o Transtorno de Ansiedade Generalizada, o Transtorno do Pânico, Fobias, Ansiedade Social, Transtorno Obsessivo-Compulsivo e Transtorno de Estresse Pós-Traumático.

Os sintomas vão de leves a severos, e a duração dos sintomas geralmente são mais prolongados.

Ademais, levam a 24.6 milhões de YLDs: essas estimativas são menores em comparação à depressão porque são associados com menores níveis de incapacidade.

Estimativas globais da prevalência de transtornos de ansiedade

A população estimada com transtornos depressivos era de 3.6%, representando 264 milhões de pessoas, sendo mais comum em mulheres (4.6%) do que homens (2.6%).

É importante ressaltar que os níveis de prevalência não variam substancialmente entre as faixas etárias, mas são menos prevalentes em idosos.

Prevalência de transtornos de ansiedade por região

  • África: 10%;
  • Mediterrãneo Oriental: 12%;
  • Europa: 14%;
  • Américas: 21%;
  • Sudeste da Ásia: 23%;
  • Pacífico Ocidental: 20%.

Suicídio

Por fim, trago os dados de suicídio: em 2015, foram contabilizadas 788 mil mortes.

O número de tentativas, no entanto, é muito maior. Já falamos sobre suicídio aqui anteriormente.

Inclusive, no mesmo ano, o suicídio foi a segunda maior causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos.

Hoje, estima-se que o suicídio seja responsável por 1.5% das mortes, e, portanto, também foi elencado entre os 20 maiores causas de morte no mundo.

Fonte

Depression and Other Common Mental Disorders: Global Health Estimates – World Health Organization (2017).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.