Prevenção: abordagem e cuidados

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Hoje, na nossa última postagem sobre o Setembro Amarelo, quero falar sobre abordagem e cuidados com indivíduos suicidas.

Primeiramente, ressalto que falar ou perguntar sobre suicídio não promove o suicídio.

Nesse contexto, a OMS recomenda que qualquer pessoa maior de 10 anos que apresente transtorno mental, dor crônica ou desconforto emocional agudo seja abordada sobre ideias ou planos de autoagressão.

Por fim, deve-se abordar a pessoa com cautela e reservar um tempo para isso, pois assim ela se sentirá acolhida e compreendida.

Perguntas para abordar o tema

Abaixo, você confere algumas das perguntas que podem ser feitas (de forma gradual!):

  • Como está sua vida?
  • Como você se sente em relação ao futuro?
  • Há algo que lhe incomoda?

De acordo com a resposta, parte-se para outras perguntas.

  • Sente-se infeliz e sem esperança?
  • Sente-se desesperado?
  • Sente-se incapaz de enfrentar o dia?
  • Sente que sua vida é um fardo?
  • Acha que não vale a pena viver?
  • Pensa em cometer suicídio?

Mas e quando é o momento certo?

Quando houver um bom relacionamento entre o profissional e o indivíduo, quando ele se sentir confortável para falar de seus sentimentos e/ou estiver expressando sentimentos negativos.

Além disso, é fundamental que o profissional saiba se a pessoa tem planos e meios de cometer o suicídio.

Avaliação de risco

Ademais, se faz a avaliação do risco – o suicídio é caracterizado em:

1) Risco baixo

Quando há o pensamento de morrer ou estar morto, mas o indivíduo não esboçou o plano.

O manejo inclui a escuta acolhedora, facilitar a vinculação da pessoa ao suporte e tratamento do possível transtorno mental.

2) Risco médio

Quando há o pensamento e o plano, que não é imediato.

O manejo dessa categoria é cuidado com os meios de suicídio dentro do próprio espaço de atendimento, a escuta terapêutica, a promoção de fatores de proteção e, por fim, o acompanhamento da família e amigos.

3) Risco alto

Quando há plano imediato de tirar a própria vida ou ocorreu uma tentativa de suicídio recente.

O manejo inclui, em primeiro lugar, não deixar a pessoa sozinha, informar seus familiares e os cuidado com os meios de suicídio dentro do próprio espaço de atendimento.

Aspectos que devem ser observados a respeito do suicídio

Ambivalência

A ambivalência é muito comum entre o desejo de viver e o desejo de morrer.

É possível trabalhar para melhorar o desejo de viver do indivíduo.

Além disso, precisamos disponibilizar apoio emocional.

Dessa forma, o risco de suicídio diminui.

Impulsividade

O suicídio é considerado impulsivo.

Dessa forma, como qualquer outro impulso, é transitório e dura alguns minutos ou horas.

Costuma ser desencadeado por eventos negativos do dia a dia.

Acalmando tal crise e ganhando tempo, o profissional da saúde pode ajudar a diminuir o desejo suicida.

Rigidez

O indivíduo suicida pode apresentar pensamento, afeto e emoções restritas.

Nesse sentido, o profissional pode ajuda-lo a encontrar outras alternativas.

Atenção!

Alguns pacientes podem apresentar falsa melhora.

A falsa melhora e tranquilidade ocorrem porque o indivíduo já decidiu se matar.

Sendo assim, alguns pacientes com intenções muito sérias podem esconder a sua ideação suicida.

Cuidados com a pessoa que tentou suicídio

Finalmente, trago os cuidados recomendados para a pessoa que tentou suicídio.

  • Coloque a pessoa num ambiente acolhedor e seguro, evitando deixa-la sozinha;
  • Remova meios de autolesão;
  • Mobilize familiares, amigos e membros da comunidade para que auxiliem no monitoramento e suporte de indivíduos com risco eminente de suicídio;
  • Trate as pessoas que se auto lesionam com o mesmo cuidado com que outros usuários são tratados e seja sensível ao seu sofrimento;
  • Promova suporte aos familiares, caso necessitem;
  • Garanta a continuidade do cuidado;
  • Ofereça e ative o suporte psicossocial;
  • Dê suporte à pessoa;
  • Mostre razões e formas para viver;
  • Oriente a família e amigos a restringir os meios de acesso ao suicídio;
  • Aumente o suporte social por meio de recursos da comunidade;
  • Oriente os cuidadores para evitarem hostilidade e criticismo;
  • Mantenha contato após a tentativa de suicídio, com maior frequência inicial.

Chegamos ao fim das nossas postagens sobre o Setembro Amarelo.

Todos os conteúdos foram baseados no Curso de Prevenção ao Suicídio, produzido por Secretaria de Estado da Saúde do Paraná e ofertado por Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

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