Prevenção: saúde pública

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Continuamos a nossa série sobre o Setembro Amarelo. Hoje, converso com você sobre a relação entre o suicídio e a saúde pública.

Primeiramente, quero que você conheça algumas estatísticas do suicídio no nosso país.

Estatísticas brasileiras

No nosso país, 11 mil pessoas tiram a própria vida por ano, em média.

Dessa forma, o suicídio é a terceira maior causa da morte de homens entre 15 a 29 anos e a oitava maior causa de morte de mulheres entre 15 a 29 anos.

Além disso, é a quarta maior causa de morte de jovens entre 15 a 29 anos.

Comportamento suicida

Em relação ao comportamento autolesivo, foram notificadas ao Ministério da Saúde 176.226 casos entre 2011 e 2016, sendo 27,4% tentativas de suicídio.

Dentre esses 27,4% (48.204 casos), 69% eram mulheres e 31% homens, enquanto que as mulheres lideram as estatísticas de reincidência na tentativa de suicídio.

Ainda, entre 2011 e 2016, o Brasil registrou mais de 62 mil mortes por suicídio, e destes, 69% eram homens.

Taxa de mortalidade

Nesse contexto, a taxa de mortalidade entre homens é 8,7/100 mil habitantes, enquanto entre mulheres é de 2,4/100 mil habitantes.

A faixa etária que mais apresenta risco é a dos idosos com mais de 70 anos, pois conta com uma mortalidade de 8,9/100 mil habitantes.

Por fim, com relação à etnia, os indígenas contam com uma taxa de mortalidade de 15,2/100 mil habitantes, enquanto a taxa de pessoas brancas é de 5,9/100 mil habitantes e a taxa de pessoas negras é de 4,7/100 mil habitantes.

Prevenção & saúde pública

O Ministério da Saúde divulgou uma agenda estratégica de prevenção do suicídio, na qual informou fatores de risco, de proteção e outras taxas significativas para trabalhar na prevenção do suicídio.

Segundo a publicação da agenda, a meta é de reduzir em 10% a mortalidade até o ano que vem.

A boa notícia é que o Brasil assinou o Plano de Ação em Saúde Mental 2015-2020, lançado pela Organização Pan-Americana da Saúde, cujo objetivo é acompanhar o número anual de mortes e o desenvolvimento de programas de prevenção.

Em saúde pública, o conceito de prevenção é definido por qualquer medida que vise a interceptar a causa de uma doença antes que ela atinja um indivíduo.

Entretanto, é importante ressaltar que sempre será possível pensar na prevenção do suicídio, porque trabalha não somente prevenindo o suicídio, mas também outros comportamentos suicidas

Portanto, pensar na prevenção diz respeito a oferecer possibilidades de enfrentamento das adversidades que levam as pessoas aos comportamentos suicidas e ao ato suicida em si.

Por fim, quero compartilhar com você as estratégias nacionais de prevenção ao suicídio que a OMS indica.

Recomendações da Organização Mundial da Saúde

1) Vigilância e pesquisa

Aumentar a qualidade e abrangência dos dados nacionais sobre comportamentos suicidas e dar suporte aos estabelecimentos de banco de dados que servirão para identificar grupos vulneráveis, indivíduos e situações.

2) Identificação de grupos vulneráveis

Aprimorar a avaliação e manejo de comportamentos suicidas e promover fatores de proteção ambientais e individuais.

3) Aumento de treinamentos e educação sobre o tema

Identificar guardiões e aumentar as competências dos profissionais da saúde e outras áreas.

O conceito de guardião refere-se aos profissionais que estão em contato mais próximo com a comunidade e que podem ser treinados para identificar o risco de suicídio em indivíduos de uma determinada área.

Tais profissionais podem ser da atenção primaria, saúde mental, emergência, assistência social, educação, policiais, líderes comunitários e religiosos.

4) ) Tratamento

  • Melhorar a oferta e qualidade de intervenções;
  • Priorizar intervenções baseadas em evidencias;
  • Aumentar a pesquisa e avaliação de intervenções eficazes.

5) Intervenção no período de crise

Assegurar que o território apresente condições de manejar as situações de crise e tenha acesso a serviços de emergência.

6) Aumento do conhecimento do tema para que haja menos estigma

Realizar campanhas e aumentar o acesso de profissionais e da comunidade e geral às informações do tema.

7) Redução do acesso aos meios de suicídio

Reduzir a disponibilidade, acessibilidade e atratividade dos meios de suicídio, tais como armas de fogo, lugares altos e pesticidas.

8) Aumento do acesso a serviços de saúde e diminuição das barreiras de acesso

9) Encorajamento da mídia para adoção de melhores políticas ao divulgar o suicídio

Disponibilização de guias de orientação.

10) Pósvenção

Dar suporte às pessoas afetadas, expostas e enlutadas por suicídio.

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