Síndrome de Burnout no Brasil

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O post de hoje fala sobre o impacto da síndrome de Burnout no Brasil, com trechos extraídos de um artigo publicado na revista Época.

Uma pesquisa inédita indica que um em cada cinco trabalhadores brasileiros já sofre de Burnout.

A pesquisa, realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, apontou que a síndrome já atinge quase 20 milhões de brasileiros.

A síndrome do esgotamento profissional foi descrita pela primeira vez em 1974.

A síndrome causa, principalmente, um estado de estresse e tensão emocional crônicos.

Isso tudo é provocado por condições de trabalho desgastantes, que exigem demais fisicamente e emocionalmente.

Seus sintomas emocionais são diversos: ansiedade, pessimismo, irritabilidade e muito mais.

Os físicos também são inúmeros: podem ser dor de cabeça, pressão alta, distúrbios gastrointestinais, insônia e etc. 

Acomete, em sua maioria, profissionais cujo trabalho exige envolvimento interpessoal intenso e que têm contato direto com sofrimento humano, tais como:

  • profissionais da saúde;
  • bombeiros;
  • policiais;
  • agentes penitenciários. 

O indivíduo que sofre da síndrome não se desliga de seu trabalho.

Dessa forma, ele pode estar em casa, descansando com a família, e pensando nas responsabilidades e problemas que enfrenta no seu ambiente de trabalho.

O tratamento consiste em psicoterapia aliada a medicamentos, um processo que auxiliará a pessoa a lidar com o estresse e, assim, aumentar a qualidade de vida.

Dados sobre a síndrome de Burnout adquiridos na pesquisa

Na pesquisa, foram ouvidas 6.070 pessoas com idades entre 21 e 65 anos, de diferentes cidades e classes sociais.

Constatou-se, então, que um a cada cinco trabalhadores brasileiros sofre de Burnout.

A síndrome atinge, em especial, profissionais com menos de 30 anos.

Um dos motivos desse dado é que as gerações mais novas são mais solitárias, de acordo com Christian Dunker, psicanalista.

Foi descoberto, também, que as mulheres sofrem mais que os homens, pois elas representam 60% dos casos de maior intensidade da síndrome.

Carmita Abdo, professora de medicina e coordenadora do estudo, nos diz que Burnout pode envolver depressão, estresse e ansiedade juntos.

De acordo com a psiquiatra, as áreas afetadas no cérebro são as mesmas – a diferença é que o Burnout se desenvolve por conta do trabalho.

Apontamentos levantados pela revista Época

A revista Época ouviu, durante cinco semanas, médicos, psicólogos, psicanalistas, especialistas em mercado de trabalho e vítimas do esgotamento para entender o motivo da síndrome.

Concluiu-se que a rotina profissional piorou tanto nos últimos anos que acabou por afetar a saúde mental das pessoas.

Uma das entrevistadas, Rosylane Rocha, presidente da Associação Nacional de Medicina do Trabalho, disse que a pressão, sem dúvida, aumentou.

A psicóloga Ana Maria Rossi, presidente no Brasil da International Stress Management, diz que:

Existe um desajuste maior entre o tempo que as pessoas dedicam ao trabalho e o que dedicam a si mesmas e às famílias. É um sinal de nossos tempos. Quanto mais se dá atenção ao trabalho, menos tempo se tem para outras atividades que ajudariam a diminuir a pressão.

Apesar da carga horária do brasileiro manter-se em 40 horas semanais, o trabalhador cumpre trabalhos à parte.

São e-mails ou mensagens enviadas por WhatsApp por chefes e colegas que chegam a qualquer horário.

Ainda, soma-se à equação que as taxas de desemprego no Brasil estão altíssimas.

Fonte: Revista Época, edição 1119, p. 28-36.

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