Teddy e sua professora

Tempo de leitura: 5 minutos

Quero começar a semana com uma reflexão de professora.

Uma reflexão de professora que está preocupada com a falta de saúde mental que nossa sociedade enfrenta.

Preocupada com os altíssimos níveis de transtornos mentais, tais como depressão e ansiedade. Preocupada também com o suicídio nos jovens. E preocupada, por fim, com o futuro.

Essa história circula há anos entre os círculos de formação de professores e, tenho certeza que quando você terminar de lê-la, perceberá o quanto ela vale a pena ser recontada.

A professora

Seu nome era Senhora Thompson.

Em seu primeiro dia de aula, parou em frente a seus alunos da quinta série e, assim como todos os outros professores o faziam, lhes disse que gostava de todos por igual.

No entanto, ela sabia que isso era impossível. Dessa forma, estava mentindo.

Estava mentindo porque na primeira fileira estava sentado um garoto chamado Teddy.

O menino chamado Teddy

Teddy lhe despertava a atenção de uma maneira desagradável.

A professora havia observado que ele não se dava bem com os colegas de classe e que, muitas vezes, suas roupas estavam sujas e cheirando mal.

Houve até momentos em que ela sentia prazer em lhe dar notas vermelhas ao corrigir suas provas e trabalhos.

Como poderia gostar dele da mesma maneira que gostava dos outros?

A ficha escolar de Teddy

Ao final de cada ano letivo, os professores escreviam suas percepções e opiniões a respeito dos alunos em uma ficha escolar.

Em vista disso, ao começo de cada ano, era solicitado ao novo educador que lesse a ficha escolar de cada aluno, de forma a tomar conhecimento de seus novos estudantes.

A Senhora Thompson deixou a ficha de Teddy por último, mas ao passar os olhos por ela, surpreendeu-se.

No seu primeiro ano, a professora escreveu em sua ficha: “Teddy é um menino brilhante e simpático. Seus trabalhos sempre estão em ordem e muito nítidos. Tem bons modos e é muito agradável estar perto dele.”

A professora da segunda série descreveu Teddy como “um aluno excelente e muito querido pelos colegas”, ressaltando que “tem estado preocupado com a mãe, que está com uma doença terminal”. Por fim, observou que a vida em seu lar deveria estar difícil.

A ficha do terceiro ano continha as seguintes palavras: “A morte de sua mãe foi um golpe muito duro para Teddy, que ainda busca fazer o melhor, apesar do pai não se importar com ele. Logo sua vida será prejudicada se ninguém ajudá-lo”.

Finalmente, a anotação da quarta série relatava que “Teddy anda muito distraído e não mostra interesse algum pelos estudos. Tem poucos amigos e muitas vezes dorme em sala de aula”.

A reflexão da Senhora Thompson

A professora, então, percebeu que o problema era muito mais profundo e sentiu-se envergonhada.

Seu estado emocional piorou ao lembrar-se dos presentes de Natal de seus alunos, os quais foram embrulhados em papéis coloridos, exceto o de Teddy – o seu estava enrolado em um papel marrom de supermercado.

Ainda, se recordou da maneira triste com a qual abriu o pacote de Teddy.

Ao abri-lo, havia encontrado uma pulseira com pedras faltando e um vidro de perfume que já estava pela metade.

Lembrou-se, por fim, dos alunos rindo.

Tentou dar a volta na situação: disse que o presente era precioso. Colocou a pulseira e passou o perfume no seu pulso.

Ao fim do dia da troca de presentes, Teddy ficou até mais tarde para ir até ela e lhe dizer: “Senhora Thompson, você está tão cheirosa e perfumada quanto mamãe”.

Naquele primeiro dia de aula, quando todos os alunos já tinham retornado às suas casas, a Senhora Thompson permaneceu na escola.

Permaneceu na escola chorando e refletindo a respeito da história de seu aluno Teddy.

Decidiu que lhe daria mais atenção e mudaria completamente sua maneira de ensinar.

A mudança de Teddy

Aos poucos, a professora notou que Teddy melhorava e se animava com a atenção voltada a ele.

Então, ao final do ano letivo, Teddy era o melhor aluno da turma!

Um ano se passou, e a Senhora Thompson recebeu uma carta de Teddy lhe dizendo que era a melhor professora que já tivera na vida.

Seis anos se passaram, e outra carta chegou. Nela, Teddy contava que havia finalizado o ensino médio como o terceiro melhor aluno e, mesmo depois de todo esse tempo, ela ainda era a melhor professora.

Quatro anos mais tarde, a professora de Teddy recebeu mais uma carta. Naquela, Teddy dizia que a faculdade havia sido difícil, mas que ele havia permanecido até o fim e logo se formaria. Ela ainda era a melhor professora para ele.

Mais quatro anos se foram, e a Senhora Thompson recebeu outra carta. Teddy lhe contava que havia começado seu bacharelado. Sua assinatura era Theodore F. Stoddard, MD, mas ela continuava sendo a melhor professora de sua vida.

A última carta

A última carta chegou menos de um ano depois.

Nesta carta, Teddy lhe contava que conhecera uma moça e se casaria com ela. Ainda, contava que seu pai havia falecido alguns anos atrás, e não havia ninguém com quem pudesse contar para entrar na igreja.

Ele, então, perguntou à Senhora Thompson se ela entraria com ele e se sentaria no lugar reservado à mãe do noivo.

A professora, encantada, aceitou o convite.

No dia do casamento, estava usando a pulseira e o perfume que havia ganhado anos atrás em um Natal.

Finalmente, em seu reencontro, os dois se abraçaram e Teddy lhe disse: “Obrigada por acreditar em mim e fazer-me sentir importante, demonstrando-me que posso fazer a diferença.”

Emocionada, a Senhora Thompson lhe respondeu: “Teddy, a verdade é outra. Quem me mostrou que eu poderia fazer a diferença foi você. Eu não sabia ensinar antes de lhe conhecer.”

Conclusão

Afinal, quem nunca teve um aluno como Teddy?

Esse texto nos faz questionar nossa postura como educadores, mas principalmente nos faz questionar nossa postura como pessoas.

Quanto, realmente, acreditamos em nossos alunos e em nós mesmos?

Autor da história desconhecido.

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