A tríade da esperança

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Neuroplasticidade, epigenética e neurogênese: esses são os três conceitos das neurociências que gosto de denominar de “a tríade da esperança”, e logo mais você vai compreender por quê.

As neurociências nos trouxeram muita esperança de que é possível modificarmos nossos comportamentos já enraizados ao nos apontar os procedimentos que ocorrem no nosso cérebro.

Vamos conhecê-los?

Neuroplasticidade

A neuroplasticiade é a capacidade do cérebro de se modificar e de fazer novas conexões neurais. Nós já falamos um pouco sobre ela nesta postagem aqui.

Nossos neurônios se comunicam com outros através de sinapses. Toda vez que aprendemos algo novo e desafiamos nosso cérebro, nossos neurônios farão novas sinapses, novos caminhos.

Um exemplo que cabe aqui é o de um grupo de pessoas que vive na Tailândia.

Nós não nascemos com a capacidade de ver debaixo d’água. No entanto, esse grupo que vive numa ilha da Tailândia consegue enxergar submerso.

Isso quer dizer que o cérebro dessas pessoas já se modificou, e esse processo se dá graças a neuroplasticidade.

O ambiente dessas pessoas foi modificado e, diante da necessidade, desenvolveu-se a habilidade de enxergar debaixo d’água.

Assim, seu cérebro é completamente diferente do nosso na parte referente à visão, porque contém muito mais conexões do que o nosso.

Resumindo, então: nosso cérebro é capaz de fazer novas conexões toda vez que o nosso ambiente se modifica, e é através da repetição de comportamentos ou atividades que se sedimenta esse aprendizado.

Ao fazermos sempre as mesmas coisas, nosso cérebro fica “viciado” num caminho neural.

Nesse contexto, para promover a neuroplasticidade, é necessário desafiar o cérebro ao fazer coisas novas.

Neurogênese

O segundo conceito da tríade da esperança é a neurogênese.

Todos os dias, 10 mil células tronco nascem no nosso corpo e são direcionadas para onde há maior necessidade de auxílio para aprender alguma coisa.

Vamos exemplificar novamente?

Digamos que você tenha quebrado o braço e agora precise fazer fisioterapia para recuperar seus movimentos.

As células tronco se deslocarão até o seu braço para ajudá-lo a reaprender o movimento.

Esse processo é chamado de neurogênese.

E também vale para comportamentos novos: se estamos tentando aprender a lidar melhor com nossas emoções, as células tronco irão nos auxiliar a sedimentar esse comportamento.

Dessa maneira, é possível, sim, aprendermos novos comportamentos!

Epigenética

A última parte da tríade é a epigenética – a capacidade que nosso ambiente tem de vencer a nossa biologia.

Vou tentar elucidar com um exemplo: imagine que você tenha o DNA da ansiedade (comum na sua família).

Se você for criado em um ambiente no qual é incentivado a respirar e estar presente no momento presente, a ansiedade pode nunca se manifestar.

Dessa maneira, o ambiente de criação vence a biologia.

A ansiedade continua no seu DNA, mas por conta do seu ambiente, ela não se manifesta.

Isso significa que, dependendo de nossas ações, doenças da ordem da saúde mental que carregamos no DNA podem não se manifestar.

A origem da esperança

Agora você entende porque chamo a neuroplasticidade, a neurogênese e a epigenética de tríade da esperança!

Toda vez que aprendemos um comportamento, é possível, por meio da repetição intencional, sedimentá-lo.

Esse comportamento, então, funcionará como fator de proteção psíquica.

Dessa forma, estaremos protegidos de quaisquer doenças da ordem da saúde que tenhamos em nosso DNA sem mesmo saber e poderemos aprender comportamentos de educação emocional!

Incrível, não é?

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