Uso de eletrônicos por crianças

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Hoje, quero falar sobre um tema muito importante: o uso de eletrônicos por crianças.

As crianças estão usando dispositivos eletrônicos e a internet cada vez mais cedo.

Esse uso foi multiplicado nesse ano de 2020 por conta da pandemia do coronavírus, que paralisou as atividades escolares e nos manteve em nossas casas.

Nós sabemos que existem benefícios para o uso dos eletrônicos, mas pesquisadores afirmam que eles são infinitamente ultrapassados pelos prejuízos ao desenvolvimento da criança.

Primeiramente, quero fazer uma reflexão.

Você deixaria seu filho ir a pé até outro país?

Creio que a resposta seja não.

Mas é exatamente isso que você faz quando não supervisiona e monitora o que ele acessa.

Ainda vejo muitos pais caindo no erro de não transferir os cuidados que se tem na vida real para o acesso online.

Na vida real existem perigos e pessoas mal intencionadas, e na internet há muito mais!

Existem também pessoas que entendem de tráfego de informações, algoritmos e meios de acesso, coisas que talvez você nem faça ideia que existam.

Essas pessoas também entendem sobre as facilidades de acesso que fazem com que até um chimpanzé consiga se conectar e assistir.

Sinto muito em lhe decepcionar: não é seu filho que é tão esperto que sabe mexer em tudo, os aparelhos é que são elaborados para que qualquer um consiga.

Atenção sempre, porque há muita persuasão disfarçada de conteúdo.

E não é porque seu filho é um nativo digital que ele tem discernimento.

Na internet funciona assim: qualidade e liberdade são objetivos conflitantes e na maioria da vezes não andam juntos.

Nossas crianças tem muito tempo livre diante da telinha e, com certeza, nem sempre estão vendo conteúdos de qualidade.

Diálogo, orientação e monitoramento são papéis dos pais e dos adultos que cuidam da criança.

Não espere que ela vá a pé até outro país e volte ilesa. Isso é uma ilusão sua.
E na internet é assim que funciona: ir a pé até outro país.

O que os estudos apontam sobre o uso de eletrônicos

Precisamos estar atentos às pesquisas científicas sobre os impactos das novas tecnologias sobre o desenvolvimento cognitivo, social, moral e até físico das crianças.

Estudos mostram que a exposição excessiva à TV, monitores e displays está associada ao desenvolvimento de problemas como obesidade, distúrbios do sono, problemas de comportamento agressivo, compulsivo e hiperatividade.

Além disso, os prejuízos no imaginário das crianças é ainda mais afetado.

Abaixo, trago uma lista dos maiores prejuízos apontados pelas pesquisas

  • Distúrbios do sono
  • Excesso de peso e obesidade
  • Problemas de atenção e hiperatividade
  • Transtorno do jogo
  • Baixa eficácia dos vídeos, softwares e jogos educativos
  • Riscos de pedofilia, pornografia e cyberbullying
  • Desenvolvimento precoce da sexualidade e sexting
  • Prejuízos para a criatividade

Recomendações da Associação Brasileira de Pediatria para o uso de eletrônicos

Crianças até 18 meses

Não devem ser expostas a monitores (é isso mesmo, zero de exposição).

Crianças entre 18 e 24 meses

Pais devem selecionar bem o conteúdo e acessá-lo sempre junto com a criança, meia hora por dia;

Crianças entre 2 e 5 anos de idade

O tempo de exposição não deve ultrapassar 1 hora por dia, e os pais devem assistir aos programas juntamente os filhos, a fim de garantir que eles entendem o que veem;

Estabelecer “horários e zonas livres de mídia”

Exemplo: a hora das refeições, e 1 a 2 horas antes de dormir e “zonas livres de mídias”, como o quarto das crianças.

Crianças até 10 anos não devem fazer uso de televisão ou computador nos seus próprios quartos.

Monitorar os sites/programas/vídeos que as crianças e adolescentes estão acessando/visitando/trocando mensagens

Restringir o uso dos computadores e os dispositivos móveis em locais ao alcance da vista dos pais (na sala).

Estabelecer limites claros para os tipos de mídias permitidos

Certifique-se de que o tempo de uso não está prejudicando o tempo dedicado ao sono, à atividade física e a outras atividades essenciais ao desenvolvimento saudável das crianças.

Conversar com os filhos mais velhos

Conversar sobre o uso das mídias e a importância de não permitir que elas substituam a interação offline entre as pessoas, as atividades realizadas em família ou entre amigos.

Adolescentes não devem ficar isolados nos seus quartos usando internet e nem usar suas horas saudáveis de sono às noites no celular.

Jogos online

Jogos online com cenas de tiroteios com mortes ou desastres que ganhem pontos de recompensa não são apropriados em qualquer idade, pois banalizam a violência e a mostram como aceitável para a resolução de conflitos.

Conversar sobre as regras de uso da internet

Tais como configurações de segurança e privacidade e sobre nunca compartilhar senhas, fotos ou informações pessoais ou se expor através da utilização da webcam com pessoas desconhecidas, nem postar fotos íntimas ou nudes mesmo para pessoas conhecidas em redes sociais.

Usar antivírus, antispam e softwares atualizados ou programas que servem filtros de segurança e monitoramento para palavras ou categorias

Alguns restringem o tempo de uso de jogos online e o uso de aplicativos e redes sociais por faixa etária.

Conversar sobre valores familiares e regras de proteção social para o uso saudável, crítico, construtivo e pró-social das tecnologias

Utilizar a ética de não postar qualquer mensagem de desrespeito, discriminação, intolerância ou ódio.

Fonte: Livro “Respondo o quê? – Perguntas e dilemas” de Cynthia Borges de Moura.

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